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9fev/11Off

Dilma promete anunciar ate julho novo aviao da FAB

A presidente Dilma Rousseff está disposta a anunciar a decisão do
governo na escolha F-X2 - para o reequipamento da aviação de caça - até
julho. O negócio envolve um lote de 36 aeronaves e é avaliado em US$ 6
bilhões.

O processo está sendo minuciosamente analisado no Palácio do
Planalto. A presidente faz suas próprias anotações e levanta dúvidas.
Dilma leu relatórios e ouviu especialistas. Ela sabe que o F/A-18 Super
Hornet, da americana Boeing, é considerado a melhor máquina de guerra
entre os oficiais da Aeronáutica. O preço final é intermediário, na
faixa estimada de US$ 5,2 bilhões - acima dos US$ 4 bilhões da proposta
da sueca Saab para seu Gripen NG e abaixo dos US$ 6,2 bilhões da oferta
da francesa Dassault para o moderno Rafale.

Dilma tem discutido vários tópicos específicos. Quer saber se o
pacote de transferência de tecnologia já garantido pela Boeing com o
aval do governo dos Estados Unidos - em carta da secretária de Estado,
Hillary Clinton, e em telefonema entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e Barack Obama - não é suficiente para atender a expectativa da
indústria aeroespacial.

Dilma ficou interessada nos detalhes referentes ao sofisticado radar
digital multimodo. A presidente surpreendeu os técnicos ao querer saber
como um projeto original dos anos 70, caso do F/A-18 de primeira
geração, pode incorporar recursos stealth, para tornar a aeronave
furtiva ante a detecção por radares. De acordo com um assessor presente
na reunião, os militares ficaram surpresos com o elevado grau de
informação de Dilma.

Os americanos aumentaram o tom, assumindo o compromisso de pagar os
custos de 100 mil homens/hora da Embraer para habilitar a empresa no
programa de desenvolvimento do Super Hornet. Também renovaram o acordo
formal para pagar uma espécie de multa de 5% sobre o contrato cada vez
que a abertura de tecnologia não seja cumprida.

O F/A-18 é a versão mais avançada do primeiro modelo, lançado em 1978
e do qual foram fabricados perto de 1.500 unidades. O Super, em linha
desde 1997, soma pouco mais de 500 caças. Voa a 1.900 km/hora e cobre
2.346 km com 578 projeteis para um canhão de 20 mm, mais dois mísseis do
tipo ar-ar. Em condição plena de combate, a carga de ataque é de 8,05
toneladas.

Mais música

A revisão do parecer técnico e financeiro da F-X2 aumentou o volume
do que é música para os ouvidos da ala tecnológica da Força. A Saab quer
fabricar no Brasil, em parceria ampla com a indústria, o Gripen NG. O
caça está em desenvolvimento.

O País teria, assim, a oportunidade de criar um avião de combate com a
característica BR. Com ciclo de maturação calculado em 30 anos, o
empreendimento permitiria à Defesa, no futuro, passar a encomendar essa
classe de supersônicos apenas ao complexo aeroespacial nacional, como
explicou ao Estado um oficial engenheiro do setor.

Discreta, a francesa Dassault gastou o dia, ontem, em ação objetiva:
reuniu 140 empresários de São José dos Campos para detalhar o seu método
de transferência de tecnologia - até agora, único mecanismo qualificado
claramente como irrestrito e a critério da FAB.

A questão é saber se haverá mesmo transferência de tecnologia por parte dos americanos. Pois, se há até uma cláusula de 5% de multa (baixíssima) caso eles não transfiram tecnologia, é sinal de que não irão mesmo... Quem viver verá...

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