A estrategia Inteligencia em movimento

25ago/11Off

Empresa Brasileira desenvolve tecnologia de ponta na area de sistemas nao tripulados

Sistemas não tripulados são empregados em diversas nações para o patrulhamento de extensas áreas de interesse, e desta forma, o desenvolvimento de tecnologia nacional é um grande passo para a autonomia técnológica numa área dominada por um pequeno grupo de países.

Os produtos abaixo foram desenvolvidos por uma empresa nacional chamada Xmobots  Sistemas Robóticos, entre eles destacam-se um Avião Não Tripulado (VANT) e um Veículo Submarino Autônomo (AUV) que serão brevemente descritos abaixo:

O Apoena é um Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) de baixa altitude e grande autonomia (Low Altitude Long Endurance (LALE) Unmanned Aerial Vehicle) desenvolvido para vários tipos de monitoramento aéreo. O projeto teve como foco a confiabilidade, onde a plataforma, hardware e software desenvolvidos foram baseados nas normas FAR 23, DO-160 e DO-178B, respectivamente. Existem duas versões: Apoena 1000, o qual foi otimizado para missões de monitoramento em uma determinada área, como mapeamento de terrenos e pesquisas geomagnéticas, sendo capaz de pousar em condições severas para outros UAVs como pistas estreitas e irregulares. Isto é possível graças à sua pequena envergadura (que é do mesmo tamanho de um eixo de caminhão), trem de pouso com alta absorção de impacto e características de estabilidade/controlabilidade. Por outro lado, o Apoena 3000 foi otimizado para missões de monitoramento de longas distâncias lineares, como costas e fronteiras, redes elétricas, oleodutos, tudo isto devido à sua grande autonomia e comunicação por link de satélite.

Aplicações

  • Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR)
  • Marcação de alvos por Laser
  • Avaliação de campo de batalha
  • Link aéreo de comunicação
  • Busca e Salvamento
  • Vigilância policial
  • Patrulhamento de Costas e Fronteiras
  • Combate ao tráfico de drogas e animais
  • Aerofotogrametria
  • Prospecção de recursos naturais
  • Meteorologia
  • Monitoramento de Florestas, Rios e Lagos
  • Inspeção de redes elétricas, dutos de óleo & gás
  • Monitoramento de estradas e ferrovias

Série Lambaru


O Lambaru é um Veículo Submarino Autônomo (Autonomous Underwater Vehicle (AUV)) pequeno e leve, especialmente desenvolvido para inspeções submarinas de longo alcance. Seu alto desempenho é atribuído ao seu sistema de célula combustível de hidrogênio e oxigênio, que possibilita uma autonomia de 40 horas de operação contínua sem a necessidade de troca de baterias. São necessários somente dois minutos para recarregar os cilindros de gás, o que pode ser feito com o veículo na água, não havendo necessidade de removê-lo. O veículo é modular e pode ser configurado para utilização de uma grande variedade de sensores, os quais o habilitam para ser usado em diversas aplicações. Atualmente existem duas versões: Lambaru 400 e 800, otimizados para operações de 400 e 800 metros de profundidade, respectivamente. As missões podem ser programadas e carregadas no AUV através de uma interface gráfica. Esta também possibilita a análise de resultados da operação, como trajetória percorrida e mapas de solo oceânicos.

Aplicações

  • Localização de minas submarinas
  • Monitoramento de portos e costas
  • Operações de resgate e salvamento
  • Mapeamento do solo oceânico
  • Pesquisas científicas
  • Inspeções de oleodutos offshore
  • Monitoramento ambiental
  • Auxílio à pesca
Share
24ago/11Off

Brasil na ESO: nossa ciencia no topo dos Andes

Por  Eduardo Janot Pacheco e José Monserrat Filho

O Brasil já é parceiro direto da ciência do primeiro mundo. Para tanto, bastou ter assinado o acordo que, se ratificado, o tornará membro pleno da Organização Europeia para Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês).

O caso é real. Em 29 de dezembro de 2010, o à época ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Sérgio Rezende, firmou, em nome do presidente Lula, o acordo de ingresso na ESO. Desde então, nossa comunidade de astrônomos – cerca de 700 pesquisadores – e de físicos cosmólogos vem participando ativamente, em igualdade de condições com os colegas europeus, dessa que é reconhecida, até pelos próprios americanos, como a mais moderna entidade de pesquisas astrofísicas do mundo.

Após exaustivos debates ao longo de 2010 e ciente de sua responsabilidade histórica, a maioria esmagadora de nossos astrônomos apoiou a entrada do Brasil na ESO. A pequena minoria contrária, enredada numa visão imediatista, em projetos meramente pessoais e/ou com estreitos interesses vinculados a soluções americanas, não consegue se pôr à altura do grande salto qualitativo que estamos dando hoje.

A atuação séria e competente dos pesquisadores brasileiros se projetou logo de saída: já na primeira rodada de pedidos de tempo de observação, de que participamos agora em abril, nossa taxa de aprovação (número de noites de observação) foi maior que a média dos europeus.

Ratificado o acordo Brasil-ESO pelo Congresso Nacional ainda em 2011, nosso país será automaticamente coproprietário das moderníssimas instalações e bancos de dados da ESO no Chile e na Europa (avaliados em vários bilhões de euros) e passará a ter assento, voz e voto em todos os órgãos de avaliação e decisão da organização.

Simultaneamente, nossas indústrias de média e alta tecnologia poderão participar de obras únicas e pujantes, como a construção, no Chile, dos dois maiores telescópios de todos os tempos: o ELT (Extremely Large Telescope, ótico) e o ALMA (Atacama Large Millimeter Array, rádio-interferômetro gigante, já em construção). Ambos estão avaliados em mais de um bilhão de Euros. Nossas indústrias também terão total acesso ao desenvolvimento de instrumentação de ponta, regularmente promovido pela ESO.

Esse assenso qualitativo da nossa C&T em ciências exatas é fruto da notável mudança de mentalidade diante do imenso potencial brasileiro, do avanço das pesquisas científicas e da educação ocorrida no país na presente década: o orçamento do MCT multiplicou-se por seis e foi atualizado o salário dos pesquisadores das universidades públicas, que, por sua vez, tiveram condições de, a cada ano, abrir novos concursos.

A entrada do Brasil na ESO é movimento transformador. Investiremos R$ 550 milhões em dez anos e subiremos a um patamar bem mais elevado de progresso científico e tecnológico. Essa quantia – que nos permite adquirir um patrimônio material e de oportunidades sem precedentes – representa menos de 1% do orçamento atual do MCT e cerca de 1/6 do valor diário da dívida interna brasileira. Cabe frisar que até 75% das contribuições que cada país membro faz têm retornado a ele por meio dos contratos obtidos por suas indústrias junto à ESO. Trata-se uma virada histórica.

O Brasil pode, deve e precisa internacionalizar sua C&T, enfrentando novos desafios, galgando novas posições no mundo e sabendo proteger seus interesses soberanos. Vivemos uma grande chance com os benefícios sem comparação da ESO.

Gozamos de estabilidade e prosperidade financeiras, que os recursos do pré-sal reforçarão ainda mais. Os países desenvolvidos nos respeitam e fazem de tudo para serem nossos parceiros nesta etapa de mudanças e avanços.

Os governos Lula e Dilma entenderam isso e se engajaram na construção de um país mais sábio, mais produtivo e sem miséria, com base na sociedade e na economia do conhecimento – a fronteira do mundo contemporâneo.  O Brasil na ESO marca a responsabilidade, a determinação e a coragem de um novíssimo tempo.

Eduardo Janot Pacheco é presidente da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e José Monserrat Filho é chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Share
23ago/11Off

Rebeldes tomam complexo residencial de Gaddafi

Mahmoud Jibril, um dos líderes do CNT (Conselho Nacional de Transição), o órgão político dos rebeldes líbios, comentou os últimos desdobramentos da revolução no país durante uma entrevista coletiva em Doha, no Qatar, classificando a tomada do complexo residencial do ditador Muammar Gaddafi como uma “importante vitória” após seis meses de intensos combates.

“A transição começa imediatamente” para a construção de uma “nova Líbia”, anunciou. “Construímos agora uma nova Líbia, com todos os líbios como irmãos por uma nação unida, civil e democrática”, acrescentou Jibril.

O líder agradeceu o apoio do Qatar e dos EUA, que auxiliaram as lutas dos rebeldes com apoio logístico para exportação de petróleo e com ajuda financeira, respectivamente.

Mais cedo, o coronel Ahmed Omar Bani, porta-voz militar dos rebeldes em Benghazi, a capital rebelde no leste do país, confirmou à agência de notícias France Presse que os oposicionistas já controlam todo o complexo de Bab al Aziziya, considerado um dos últimos bastiões do regime. No aeroporto internacional de Trípoli, e ao sul da capital, no entanto, ainda há intensos combates entre os rebeldes e forças gaddafistas, informa a CNN.

Para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Gaddafi já é “parte da história” e esta terça-feira representa uma importante vitória rebelde, embora a comunidade internacional ainda hesite em dar como totalmente vencida a guerra, já que o paradeiro do ditador permanece indeterminado.

No Qatar, sinalizando o início de um futuro político pós-Gaddafi, Jibril disse que a Alemanha foi um dos primeiros países a adiantar uma linha de financiamento para ajudar o governo rebelde.

O líder comentou ainda os controversos relatos de prisão de um dos filhos de Gaddafi, Saif al Islam, que ontem (22) reapareceu em Trípoli e desmentiu ter sido detido pelos insurgentes.

Para Jibril a polêmica foi uma tentativa desesperada de Gaddafi para obscurecer os êxitos da revolução dos rebeldes.

“Foi um ato cinematográfico, ele apareceu diante da mídia internacional”, disse Jibril ao falar sobre o assunto, criticando a aparição do herdeiro do ditador no hotel onde os jornalistas internacionais estão sendo mantidos, no centro de Trípoli, ainda na noite de ontem (22).

Segundo o líder, os relatos obtidos inicialmente eram de que ele havia, de fato, sido detido. Jibril citou ainda as fontes do TPI (Tribunal Penal Internacional), que também divulgou, durante o fim de semana, que Saif havia sido preso.

TOMADA DO QUARTEL-GENERAL

Os rebeldes oposicionistas da Líbia entraram na casa de Muammar Gaddafi, depois de avançarem sobre um dos portões do complexo militar de Bab al Aziziya, um conjunto de edifícios fortificados que é considerado o quartel-general do ditador.

Ahmed Omar Bani disse que os rebeldes não encontraram nenhum sinal de Gaddafi ou de seus filhos.

“Bab al Aziziya está completamente sob nosso controle, o coronel Gaddafi e seus filhos não estavam no lugar”, disse. “Ninguém sabe onde estão”, completou.

O paradeiro de Gaddafi é desconhecido dos rebeldes e da comunidade internacional. Apesar de rumores de que teria viajado à vizinha Tunísia ou até mesmo à Venezuela, o Pentágono diz acreditar que ele ainda está na Líbia.

A conquista do complexo é vista por muitos como o golpe final contra o regime, mas a prisão de Gaddafi seria um fim simbólico ao regime de 42 anos.

FIM DA RESISTÊNCIA

Os rebeldes disparavam tiros para o ar em comemoração após entrarem na fortaleza do ditador, disse um repórter da Reuters no local. O combate mais violento começou nas primeiras horas desta terça-feira. Forças pró-Gaddafi tentaram defender o complexo, mas a resistência acabou.

Segundo relatos da correspondente da rede de TV americana CNN, alguns choravam de alegria por terem vencido a resistência, e rebeldes mostravam documentos com estampas oficiais do governo para mostrar que estavam dentro do gabinete de Gaddafi. “Eles conseguiram pegar algumas das armas que estavam com as forças de Gaddafi”, disse.

Os rebeldes ainda se organizavam para fazer a segurança do local e se defender de um eventual contra-ataque.

As forças rebeldes avançam também no leste do país, fora da capital. Segundo a Al Jazeera, os rebeldes controlaram o porto de exportação de petróleo de Ras Lanuf e agora avançam rumo a Bin Jawad.

O correspondente do canal de TV na Líbia disse ainda que as tropas de Gaddafi estão recuando da cidade natal do ditador, Sirte, no que seria uma conquista muito simbólica para os oposicionistas.

Share
Categorias: Mundo Sem Comentários
23ago/11Off

Motorola e Exército vão fazer testes da rede 4G

Por Gustavo Brigatto

O Exército Brasileiro começa a testar em novembro a próxima geração de redes de celular, a 4G, que permite transmitir informações a velocidades que podem chegar a 100 megabits por segundo. O projeto terá um custo total de US$ 2 milhões, que serão bancados integralmente pela Motorola Solutions, empresa de redes originada da cisão da Motorola no começo do ano. O objetivo é avaliar o uso do equipamento nas comunicações internas da corporação e em serviços de emergência de todo o país.

Não são apenas as operadoras de telefonia móvel que estão às voltas com os testes da próxima geração de redes de celular, a 4G. A partir de novembro, o Exército Brasileiro também começará a experimentar o sistema que permite transmitir informações a velocidades que podem chegar a 100 megabits por segundo.

Ao estudar a tecnologia, a intenção do Exército não é se preparar para disputar mercado com as teles. O objetivo é avaliar o uso da 4G nas comunicações internas da corporação e em serviços de emergência de todo o país. "É a nova geração de equipamentos para comunicações críticas. Pretendemos estar preparados para as demandas futuras, como a Copa e a Olimpíada", diz o general Santos Guerra, comandante de comunicações e guerra eletrônica do Exército.

O piloto começará a ser feito em Brasília e tem duração prevista de seis meses. O início depende de uma autorização especial da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo Guerra, as negociações estão em curso e a previsão é que a permissão seja emitida até novembro. O projeto terá um custo total de US$ 2 milhões, que será bancado integralmente pela Motorola Solutions, empresa de redes originada da cisão da Motorola no começo do ano. A outra empresa criada com a separação foi a Motorola Mobility, com foco em celulares, que recebeu uma proposta de compra pelo Google de US$ 12,5 bilhões.

Piloto está previsto para começar em novembro e terá custo de US$ 2 milhões, pagos pelo fabricante

Além do Exército, as unidades de polícias e outros órgão de segurança pública de todo o país poderão participar dos testes. O piloto será feito na frequência de 700 MHz, destinada à transmissão de sinal da TV aberta. Com a transição do padrão analógico para o digital, as empresas de TV terão que deixar de usar a faixa, o que tem gerado discussões sobre sua destinação futura. Uma das possibilidades é o uso por serviços públicos de emergência. Atualmente, Exército e forças de segurança usam frequências VHF, UHF e 800 MHz em suas comunicações. As tecnologias disponíveis, no entanto, limitam o uso das frequências à transmissão de voz. Com a 4G, passa a ser possível trafegar dados também.

A capacidade de transmitir voz e dados em uma faixa exclusiva evita os congestionamentos que podem acontecer nas redes das operadoras, disse Greg Brown, executivo-chefe da Motorola Solutions, ao Valor. Em visita ao Brasil na última semana, Brown encontrou-se com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, com quem discutiu a destinação das faixas de 700 MHz. De acordo com o executivo, o governo está disposto a avaliar o uso na área de segurança pública. Uma decisão sobre o tema, entretanto, deve demorar. As emissoras de TV brasileiras têm até 2016 para liberar o espectro. As companhias ainda tentam alongar esse prazo, ou manter o uso após o período de transição.

Há duas semanas, durante a ABTA, congresso do setor de TV por assinatura realizado em São Paulo, o ministro afirmou que o governo pretende fazer testes com a tecnologia 4G durante a Rio+20, em junho. O projeto seria executado pela Telebrás. Bernardo não deu detalhes se o teste seria feito na frequência de 700 MHz, ou na faixa de 2,5 GHz - esta última, com previsão de ser vendida em abril, pela Anatel, para operadoras de telefonia móvel.

Guerra destaca que o uso da tecnologia de 4G em 700 MHz pode trazer mais integração entre o Exército e as polícias dos Estados em operações realizadas de forma conjunta, como a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Guerra conta que por conta das diferentes tecnologias usadas por cada força, em alguns momentos durante a ação era preciso ter oficiais de cada uma delas com seus respectivos equipamentos de comunicação para que as conversas entre as equipes pudessem acontecer: "Se tivéssemos uma estrutura padronizada, seria mais fácil."

A iniciativa de fazer o piloto com o Exército brasileiro faz parte da estratégia da Motorola Solutions de crescer como uma companhia independente. As empresas e os governos são os grandes alvos. De acordo com Brown, só o mercado de 4G para segurança pública pode movimentar entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos em todo o mundo. Para o Brasil, especificamente, o executivo diz acreditar que é cedo para fazer estimativas. Nas empresas, uma das apostas é a tecnologia de identificação de objetivos por radiofrequência, ou RFID, na sigla em inglês.

De acordo com Brown, a divisão da Motorola em duas companhias tem dado resultados melhores do que os imaginados durante os três anos que antecederam o processo. "Conseguimos ter um balanço forte que nos permitiu distribuir dividendos para os acionistas e fazer um programa de recompra de ações no valor de US$ 2 bilhões ao longo de 2012", diz. Brown diz acreditar que a venda da Motorola Mobility reforça a tese que motivou a separação: de que as duas empresas teriam mais valor individualmente do que quando operavam juntas.

Sobre a operação com o Google, Brown afirma que isso não muda em nada a atuação da Solutions. Em termos operacionais, as companhias completaram a separação em janeiro. Explicou, ainda, que a Solutions ficou com o direito exclusivo de usar a marca Motorola nas áreas de governo e empresas. Perguntado sobre a possibilidade de venda da companhia, Brown pondera. "Não cabe a mim decidir isso. Mas temos muita confiança no que estamos fazendo", diz.

Share
23ago/11Off

China e Brasil devem lançar novo satélite em novembro de 2012

Após cinco anos de atrasos, representantes do Brasil e da China marcaram para novembro do ano que vem o lançamento do quarto satélite binacional. Mas o cumprimento do cronograma depende da aprovação, pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, do envio de cerca de 60 técnicos do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) à China.

“Não podemos atrasar mais, senão vamos implodir o nosso relacionamento”, disse Marco Antonio Raupp, presidente da AEB (Agência Espacial Brasileira), em entrevista na segunda-feira (22), durante coquetel na embaixada brasileira em Pequim.

Raupp explicou que serão necessárias três equipes de 20 técnicos, que se revezariam em turnos de alguns meses. Ele disse ter recebido uma sinalização positiva do ministro da Ciência, Aloizio Mercadante, embora a contratação ainda não esteja oficializada.

Ao seu lado, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, confirmou a possibilidade dessas contratações, mas disse que deixará o cargo em dezembro, como revelou a Folha na semana passada, por não conseguir ampliar seu quadro de funcionários.

“Estou frustrado porque o Inpe não recebeu os recursos necessários para a renovação do instituto”, disse Câmara, que está há 30 anos no Inpe, dos quais os últimos seis anos no cargo máximo.

Além do quarto satélite, o Cbers 3 (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, na sigla em inglês), os dois países da subcomissão de cooperação espacial definiram ainda o lançamento do Cbers 4 para agosto de 2014.

Iniciado em 1988, o projeto Cbers é a parceria mais antiga entre Brasil e China. Já foram lançados o Cbers 1 (1999), o Cbers 2 (2003) e o Cbers 2B (2007). Todos geram imagens da superfície da Terra, usadas em áreas como agricultura e meio ambiente.

“Comparativamente, o Brasil é o parceiro mais íntimo da China em tecnologia espacial”, afirmou Li Lijie, responsável pela cooperação internacional do Centro de Lançamento e Rastreio de Satélites da China (CLTC, na sigla em inglês).

Entre os novos projetos, afirma Li, o Brasil monitorará, via base de Alcântara, a nave espacial não tripulada Shenzhou 8 e o laboratório espacial Tiangong 1, que serão lançados nas próximas semanas.

O funcionário da CLTC diz que a China tem interesse ampliar a parceria com relação à base de Alcântara, mas não especificou em quais áreas.

Os dois países ainda discutem um novo plano de mais dez anos de colaboração especial, conforme acordado durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Pequim, em abril. Um dos pontos seria a construção de mais dois satélites.

ASSIMETRIA

Câmara admite que o programa está atrasado por causa de problemas do lado brasileiro, responsável por 50% dos equipamentos do Cbers 3. As dificuldades incluíram dificuldades de orçamento, falta de qualificação da indústria brasileira e componentes embargados pelos EUA.

O diretor do Inpe afirma que a parte brasileira dos equipamentos agora está pronta e que a demora “é o custo da inovação. Aprende-se a fazer fazendo.” Ele disse, porém, que “o Brasil precisa entrar no ritmo da China” caso queira cumprir o novo cronograma. “É um programa assimétrico na medida em que o programa chinês é muito maior do que o brasileiro”, disse.

Integrante da equipe brasileira que negociou o primeiro acordo, Raupp disse que os dois programas espaciais são “incomparáveis”: “Nos próximos cinco anos, os chineses lançarão 19 satélites. Nós devemos lançar 3 [incluindo os dois Cbers binacionais]“.

Câmara diz que a distância crescente na área espacial reflete a escolha de cada país _ele lembra que a China não possui um sistema público de saúde. “Eles têm um programa de astronautas, o Brasil tem o SUS”, comparou.

Share
23ago/11Off

A VEZ DOS BRICS


A crise dos Estados Unidos e da Europa, a cada dia que passa, evidencia ainda mais, para o observador atento, os acertos alcançados pelo BRICS.

Na gênese do beco sem saída em que se meteram, os estados ocidentais cometeram dois erros fatais:

Permitiram que se instalasse e consolidasse, durante anos, uma situação de irrestrito laissez-faire, limpando o terreno para o surgimento de áreas nebulosas de especulação, como a do subprime e dos derivativos, e deixando que ali medrasse uma estéril e arriscada “economia de papel”, em detrimento da economia real, orientada para a geração de bens e produtos, renda e emprego, e para o atendimento das necessidades também reais, dos seres humanos.

Por outro lado, ao mesmo tempo, os Estados Unidos e a Europa se endividavam até o pescoço, para manter um status-quo historicamente insustentável, tanto do ponto de vista militar, como é o caso, principalmente, dos norte-americanos, quanto do ponto de vista de consumo, conservando artificialmente o padrão de vida – e, em conseqüência, a arrogância – de seus povos, em um patamar muito acima do restante da humanidade.

Enquanto isso, governos como o da Índia e o da China, seguindo o que a Coréia do Sul e o Japão haviam feito anteriormente, coordenavam sinergicamente todos os setores da sociedade para criar – sem a oposição, como acontece no Brasil, da imprensa conservadora e dos “agentes” do mercado – uma miríade de grandes empresas locais, no início com financiamento público e depois com participação privada, para fabricar automóveis, eletroeletrônicos, roupas, softwares e outros bens de consumo.

Fiscalizavam rigorosamente os bancos. E investiam na economia real, incorporando, nesse processo, pela criação de empregos e a melhoria das condições de educação e capacitação, dezenas de milhões de cidadãos ao mercado de consumo.

Na Rússia, na Índia e na China, o primeiro objetivo da sociedade é o fortalecimento do poder nacional e não de um ou de outro determinado grupo de interesse. É por isso que, nesses países, o Estado não se sente constrangido, como aqui, em mobilizar e induzir os agentes econômicos para a conquista do desenvolvimento.

Mas os BRICS não ficaram por aí. Enquanto a Europa e os Estados Unidos imprimiam bilhões de dólares em títulos sem lastro, Rússia, Índia, China, e o Brasil, que a partir de 2003, também adotou essa estratégia, economizavam parcimoniosamente os recursos obtidos com as exportações, liquidavam, praticamente, suas dívidas com o exterior, e aumentavam suas reservas internacionais, a ponto de elas triplicarem, hoje, as do G-7, emprestando, pela primeira vez na história, dinheiro para o FMI e para as grandes nações ocidentais.

Hoje, China e Brasil estão entre os quatro maiores credores dos Estados Unidos, e são seguidos de perto, nesse quesito, pelos russos e pelos indianos.

Se tiverem noção do excepcional momento histórico que estão vivendo, os países do BRIC aproveitarão a crise do Ocidente, para consolidar definitivamente, com a participação da África do Sul, recém admitida no Grupo, uma aliança estratégica global que está predestinada a mudar o panorama geopolítico do mundo no século XXI.

Para isso, no entanto, essas nações deverão aprofundar a sua percepção de que o que mais as une é a sua condição de ex-escravos, que assistem, agora, em uma posição cada vez mais forte, ao crepúsculo de seus antigos senhores.

Senhores que nunca vão jogar limpo, ou se empenhar, verdadeiramente, em fortalecer suas ex-colônias para mudar um equilíbrio de forças que os beneficiou, e muito, nos últimos séculos.

Por essa razão, é incompreensível, por exemplo, que o Brasil continue buscando fechar acordos na área de defesa com o Ocidente, quando poderia estar desenvolvendo, no âmbito do BRICS – no qual Rússia e China possuem uma inegável expertise – e mesmo a Índia e a África do Sul já têm muito a oferecer nessa área – toda uma nova geração de armamentos, capaz de assegurar nossa presença no Atlântico e a defesa efetiva de nossos recursos naturais, incluindo o pré-sal e a biodiversidade amazônica.

Rússia e índia estão desenvolvendo conjuntamente o novo Sukhoi T-50, caça-bombardeio de quinta geração. A índia já compra aviões-radar da Embraer. O novo bombardeio invisível chinês é baseado em tecnologia russa. O Brasil e a China já lançam satélites binacionais de sensoreamento remoto. Já desenvolvemos mísseis ligeiros em cooperação com a África do Sul.

Por que continuar – e isso foi um erro do Governo Lula induzido pelo então Ministro da Defesa, Nelson Jobim – comprando tecnologia obsoleta francesa ou norte-americana – os aviões que nos oferecem têm mais de 20 anos de desenvolvimento – quando podemos entrar direto no futuro desenhando um avião do zero com os nossos sócios do BRICS ?

Além disso – o caso líbio está aí para nos mostrar isso – temos que nos fortalecer ao militarmente ao máximo, como os outros BRIC, e até mesmo alterar a Constituição, se for preciso.

A OTAN e os Estados Unidos acham que podem interferir onde quiser.

Mas nunca fariam com a China, a Índia ou a Rússia o que fizeram com Kadhafi. Uma coisa é atacar um país pequeno e sem armas nucleares. Outra, muito diferente, é atacar três dos maiores países do mundo, que contam com armamento moderno e arsenais atômicos à disposição de suas Forças Armadas.

É preciso convergir não apenas do ponto de vista da aproximação comercial e de defesa com o BRICS, mas também com relação à condução da nossa economia.

O Brasil nunca será de fato um BRIC, se, no lugar de dar atenção aos reais interesses da nação, continuarmos tomando decisões que afetam toda a sociedade com base na opinião de meia dúzia de “analistas” ouvidos todas as semanas pelo Boletim Focus, do Banco Central, empenhados, como raposas no galinheiro, em manter gordas para o mercado financeiro, de onde tiram seu generoso sustento, as saborosas galinhas da SELIC.

O Brasil precisa de menos economistas, que cresceram sob a falsa premissa da existência do “livre” mercado, e de mais estrategistas, prontos para estabelecer um projeto nacional – que nos falta mais do que tudo – para a era do capitalismo de estado do século XXI, na qual os países abandonarão, de vez, a máscara de uma livre concorrência que na verdade nunca existiu, para assumirem aguerridamente suas posições na franca e feroz disputa das grandes nações, pelos mercados e fontes de matérias-primas de todo o mundo.

Para muitos, no entanto, está cada vez mais claro que parte da elite brasileira quer que o Brasil continue no andar de baixo e não participe dessa batalha, ou prefere que o país suba ao ringue de olhos vendados, com correntes nos pés e de mãos amarradas.

Não podem ser vistas de outra maneira as furibundas críticas ao BNDES, por exemplo, quando nosso maior banco de fomento tenta fortalecer grandes empresas brasileiras para que elas não sejam engolidas por suas concorrentes estrangeiras, ou para que movam, compreensivelmente seus peões para ocupar posições no intrincado tabuleiro de xadrez dos mercados internacionais.

Compreende-se que o Financial Times, The Economist ou o Wall Street Journal ataquem a política industrial brasileira, afinal, esse é o papel deles, de amplificar o velho discurso ocidental e anglo-saxão do “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”.

Mas é impossível ficar indiferente quando essas posições são radicalmente defendidas dentro do nosso próprio país, quando estamos cansados de saber que sem apoio público e juros subsidiados de seus governos, empresas de países especializados em salgar bacalhau e azeitonas não teriam se assenhoreado – inclusive com financiamento, pasmem, do próprio BNDES – de segmentos estratégicos de nossa economia durante a tragédia da desnacionalização promovida pelo neoliberalismo dos anos 1990.

Quer dizer, o BNDES pode financiar a compra de empresas brasileiras por estrangeiros. Mas na hora de financiar a compra de empresas estrangeiras por brasileiros, a diretoria do Banco tem que ir ao Congresso se explicar.

O mesmo esforço, ou tendência, para manter as nossas empresas relativamente pequenas e impedir a criação de grandes players brasileiros para a disputa dos mercados internacionais pode ser visto também na atuação das agências “reguladoras” e nos órgãos de fiscalização da concorrência.

A quem interessa, por exemplo, que o Brasil não possa contar com uma empresa do porte do que seria a Brasil Foods sem a intervenção do CADE, em um mundo que é amplamente dominado, no mercado de alimentação, por gigantescos grupos europeus e norte-americanos, como a Nestlé, a Pepsico, a Kraft Foods ou a Danone ?

Por que temos que perder o último grande grupo brasileiro no mercado varejista de alimentos, e entregar definitivamente uma área estratégica, do ponto de vista do combate à inflação, para multinacionais estrangeiras?

Por que não ter uma forte posição em um grupo varejista de porte mundial para colocar, finalmente, nossos produtos nas gôndolas de supermercados estrangeiros?

Ou vamos continuar condenados a vender café em grão quando a Alemanha, sem ter sequer um pé plantado, é a maior exportadora de café solúvel do mundo?

Mas o Brasil não está amarrado apenas pela contínua manipulação da opinião pública com histórias da carochinha sobre cavalos com chifres, mulas sem cabeça, livre concorrência e livre mercado, em um planeta no qual a China caminha para se transformar na maior economia do mundo, justamente por nunca ter dado ouvidos a esse tipo de balela.

Em decorrência desse discurso, estamos impedidos de entrar nessa briga de cachorro grande com um mínimo de perspectiva de enfrentá-la, ou em igualdade de condições com os outros BRICS, por outra forte e poderosa algema: a contínua sangria de nossos recursos, da qual já falamos aqui antes, derivada da estúpida insistência em manter as taxas de juros nos mais altos patamares do mundo.

Nos últimos 12 meses, o Brasil seqüestrou dos impostos pagos pela sociedade 210 bilhões de reais para o pagamento de juros, que estão em mais de 12% ao ano, quando os juros de nossos sócios do BRIC, Rússia, Índia e China estão entre os mais baixos do mundo.

De tudo o que foi recebido dos governos anteriores, os juros da taxa SELIC, que estavam em mais de 24% no final do governo FHC, são o componente mais letal e corrosivo. Eles representam a pílula de veneno dentro do copo de vinagre. Um vírus dentro do sistema operacional nacional. Um câncer que drena a energia e os recursos da sociedade brasileira. Uma auto-imposta e masoquista desvantagem que nos impede de crescer como poderíamos, em um momento no qual sócios do BRIC como a China, que estão livres dessa amarra, estão cada vez mais fortes.

Se quiser, o Governo Dilma Roussef, se não houver outras razões, já tem como garantir o seu lugar na história, libertando nossa gente da escravidão dos juros, que seqüestra boa parte da renda de milhões de famílias brasileiras, e fazendo com que essas centenas de bilhões de reais que desaparecerem pelo ralo todos os anos se transformem em mais consumo, em mais empregos, em mais produtos.

O Brasil não pode continuar a ser refém do “mercado” e dos prepostos que com ele colaboram, em jornais e emissoras de televisão, no permanente logro e manipulação da opinião pública.

Não se pode falar em desoneração da Folha de Salários, quando o maior ônus que as empresas enfrentam, e o maior componente do Custo Brasil está justamente nos juros que transferem boa parte dos ganhos obtidos pelo setor produtivo para o mercado financeiro.

Poderíamos começar revertendo as expectativas, tão falsas como incorretas, do “mercado”, deixando, simplesmente, de emitir o Boletim Focus do Banco Central. O “mercado” precisa saber o que a autoridade monetária está decidindo e não o contrário.

Mesmo com cortes automáticos mensais de 0,5% na taxa de juros da taxa SELIC, ainda assim levaríamos 20 meses para chegar a um patamar civilizado de juros ao final do atual governo. Um tempo precioso na corrida que disputamos com as grandes nações. E ninguém poderia ser acusado de ser imprevisível ou de não dar tempo às instituições financeiras para se adaptarem.

Essa é a vez dos BRICS. O Brasil pode crescer junto com eles, e com eles mudar o planeta no Século XXI.

Ou continuar vivendo no anacrônico mundo de faz-de-conta que nos foi impingido, do ponto de vista econômico, pela Europa e os Estados Unidos no Século XX, perdendo, mais uma vez, o bonde da história.

Fonte: MauroSantayana

Share
22ago/11Off

Ex-funcionarios da Nasa sao a base da nova fabrica da Embraer nos EUA


Mais de um quarto dos funcionários da nova fábrica da Embraer nos EUA veio da Nasa

Com cortes no programa espacial, empresa brasileira recrutou 26% de sua mão-de-obra da agência para começar a produzir no país.

O engenheiro norte-americano Ryan Mitchell, teve uma experiência singular em uma pequena ilha, com 30 habitantes, nas Bahamas.

“Minha família adorava falar sobre eu trabalhar no programa espacial. Vamos a um restaurante e meus pais e irmãos todos falam: ‘Ele é engenheiro da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos)!’ Aí, em uma ilha pequena nas Bahamas, onde vivem umas 30 pessoas, meu irmão disse à garçonete: ‘Ele é engenheiro da Nasa!’ Ela perguntou: ‘Nasa… Que Nasa?’, e ele: ‘A da nave espacial!’, mas ela nunca tinha ouvido falar. Foi a única vez na vida que isso aconteceu, uma pessoa que não conhecia a Nasa. Eu ri muito”, contou ao iG, em entrevista por telefone.

Depois de sete anos participando como prestador de serviço em 22 missões espaciais, Ryan não é mais engenheiro da Nasa. Há seis meses, ele e 17 ex-colegas na supertecnológica agência espacial norte-americana formam a espinha dorsal da primeira fábrica da brasileira Embraer em território dos EUA, em Melbourne, Flórida. O grupo ex-Nasa corresponde a mais de um quarto (26%) dos novos 70 funcionários da Embraer na planta. É a segunda fábrica da Embraer fora do Brasil – a outra fica na China.

A escolha do local para se instalar na “Costa Espacial”, a menos de meia-hora do John Kennedy Space Center, casa da Nasa, não foi por acaso. A empresa aproveitou o fim do programa espacial e a demissão em massa da Nasa para recrutar mão-de-obra qualificada entre 5.000 candidatos, a maioria da região, para o início dos trabalhos.



Ryan Mitchell atuou por sete anos na Nasa e agora trabalha na nova fábrica da Embraer, a poucos km

Além de a maioria dos clientes da Embraer estar nos EUA e da familiaridade da Flórida para brasileiros, “a decisão final de instalar a fábrica em Melbourne teve muito a ver com a disponibilidade de engenheiros e técnicos altamente qualificados e especializados, disponíveis devido ao corte de mão-de-obra da Nasa. Estamos a menos de 30 minutos do Cabo Canaveral”, explicou ao iG o diretor-geral da Embraer Executive Jets, Phill Krull.

Inicialmente, a nova fábrica americana vai montar apenas o Phenom 100, menor modelo da Embraer, para seis pessoas. Parte do avião vai do Brasil para lá, onde é montado.

É com a base de funcionários da Nasa – e a contratação de pessoal para um segundo turno de trabalho até o meio de 2012 – que a Embraer conta para entregar um Phenom 100 até novembro, 31 em 2012 e 60 em 2013, para atender à já “considerável demanda”, segundo o diretor.

“Estamos começando pelo menor jato de todos, e vamos estar seguros de que todo mundo está bem treinado e familiarizado com os aviões menores, antes de começarmos a trabalhar com aeronaves maiores. É mais uma decisão operacional do que comercial”, disse Krull, segundo quem a fábrica terá capacidade de produzir oito aviões por mês.

Os contratados estão acostumados a desafios e pressão. Ryan entrou para a Nasa após o “desastre da Columbia”, nave espacial que explodiu no retorno à Terra, em 1º de fevereiro de 2003. Daniel Jingle já estava lá havia muitos anos. Quando a Challenger explodiu no lançamento, em 28 de janeiro de 1986, Daniel já era um veterano no programa espacial, que ajudou a construir.

Glamour

Daniel passou 31 anos na Nasa. “De forma geral, é muito glamouroso. É uma máquina sensacional. Ter sido parte é um orgulho, e os EUA têm muito orgulho da Nasa. É empolgante trabalhar nesse programa e eu adorei cada minuto. Quando eu trabalhava na nave, os momentos mais empolgantes eram os lançamentos. Mas quando passei para o motor principal mudou. A nave se separava do propulsor e todo mundo batia palmas… Mas os motores em que eu trabalhava ainda estavam a todo vapor por mais 6 minutos e meio. Aí era estressante… Mas terminou bem todas as vezes”, disse Daniel.

É evidente o orgulho dos profissionais que atuaram na Nasa. “É claro que, no seu dia-a-dia, você chega ao trabalho com outras pessoas como você (que trabalham na Nasa), então não tem ninguém te dando parabéns quando você chega ao escritório”, brinca Ryan. Mesmo fora da agência, ele diz ter “uma mãozinha” nos dois últimos lançamentos, embora não tenha ficado até o fim.

Tecnologia mais avançada que a de voos espaciais do passado

Para Daniel – que atuou na inspeção, concepção de peças de foguetes, reforma de peças usadas e no motor principal de naves espaciais – o começo do programa espacial da Nasa “se assemelha muito” ao que vivem hoje na Embraer. “Estamos desenvolvendo procedimentos e todo mundo está aprendendo a fazer tudo. Com minha experiência, não tenho medo do que pode acontecer no dia-a-dia. Todo dia, há uma nova dificuldade, obstáculos, procedimentos que precisam ser adaptados”, afirmou, segundo quem a transição é “suave”.

“É muito parecido. A diferença é que a cada lançamento de nave espacial, se gasta US$ 500 milhões!”, ri Ryan. “Aqui, todo mundo trabalha muito bem junto no time, é um grupo menor. Uma das melhores partes do trabalho é o fato de poder ser multitarefas, usar muitos ‘chapéus’, enquanto na equipe espacial na Nasa são 10 mil pessoas e se tem um escopo muito limitado. Aqui é muito dinâmico e interessante de se trabalhar”, disse o engenheiro.

Os dois profissionais consideram que a cultura de “arraigada de segurança e qualidade” trazida da Nasa “se encaixa perfeitamente na cultura corporativa” da Embraer.

Ryan, que considerou “uma grande ideia” da Embraer usar a força de trabalho da Nasa, vê ainda semelhanças inimagináveis, para um leigo, entre os foguetes e os jatos executivos.


Ryan Mitchell em grupo na Nasa, onde atuou sete anos, antes de ir para a Embraer

“O Phenom 100 voa a 41 mil pés, com pressão de 1 PSI absoluto (medida de pressão de libras por polegada quadrada), pressão igual à da órbita terrestre, à mesma velocidade, com o mesmo número de pessoas na aeronave e o mesmo material das naves espaciais. Estamos falando de situações muito parecidas. Não é como se tivéssemos vindo de fazer torradeiras, é praticamente a mesma coisa. Os procedimentos e certificados, é tudo muito parecido”, disse.

“Só que temos mais equipamentos de alta tecnologia hoje. Comparando, a tecnologia eletrônica a bordo do Phenom 100 é mais avançada do que a usada na maioria dos vôos espaciais da Nasa”, afirmou Ryan.


Share
22ago/11Off

LIBIA – O Final esta Proximo

Uma praça no centro da capital da Líbia, Trípoli, foi tomada por centenas de rebeldes e uma multidão gritando frases de vitória e celebrando.

Os rebeldes começaram a entrar em Trípoli na noite de sábado e intensificaram os ataques durante o domingo. O confronto em diversas áreas da cidade deixou centenas de mortos.

Segundo os correspondentes da BBC no local, houve pouca resistência por parte forças do governo, à medida que os rebeldes avançavam. No entanto, o conflito continua em alguns bairros.

Uma desses pontos fica no entorno do hotel que hospida a mídia internacional. Segundo o correspondente da BBC Trípoli, Matthew Price, disse que o local ainda estava sob poder do governo, mas que os rebeldes tentavam controlar o hotel. Uma intensa troca de tiros podia ser ouvida do quarto do jornalista.

A Praça Verde, no centro, e outros pontos da capital vivem na madrugada de segunda-feira um verdadeiro clima de festa, de acordo com uma correspondente da BBC cujo nome não foi divulgado para preservar sua segurança.

"Estamos ouvindo frases como 'Deus é grande' e 'Estamos livres' vindos de mesquitas espalhadas pela cidade. Há um verdadeiro clima de celebração entre as pessoas aqui, principalmente na região leste. Todos parecem acreditar que esse é mesmo o fim do regime."

Imagens de TV também mostram celebrações em cidades como Benghazi (leste), uma das primeiras a ser tomadas pelos rebeldes.

Filhos de Khadafi

O Tribunal Penal Internacional (TPI) confirmou que um dos filhos de Khadafi, Saif al-Islam, foi capturado na capital. Ele era considerado o sucessor do pai no governo líbio.

Os rebeldes afirmam ainda que um outro filho de Khadafi - Mohamed - teria se rendido, assim como a guarda pessoal do líder líbio, mas a informação não pode ser confirmada por fontes oficiais.

No início da madrugada, o canal de TV oficial do país foi tirado do ar e a transmissão também foi interrompida na rede Al-Libiya, que pertence a Saif al-Islam.

Segundo moradores, os sinais foram interrompidos por grupos anti-Khadafi. Há também muitos relados de pessoas em Trípoli que estão conseguindo entrar na internet, cujo acesso havia sido cortado no início do conflito, há seis meses.

Vítimas

O governo líbio confirmou que os rebeldes invadiram Trípoli e, segundo o porta-voz Moussa Ibrahim, 1.300 pessoas foram mortas na cidade nas últimas 24 horas.

Pela manhã, centenas de rebeldes líbios entraram na capital, Trípoli, vindos de cidades conquistadas no oeste do país.

Eles foram saudados por uma multidão de civis nas ruas, que gritavam frases contra o regime de Khadafi e agitavam a bandeira dos rebeldes.

Forças antigoverno já haviam tomado o controle de postos militares nas vias de acesso a oeste de Trípoli, onde pegaram armas e munições.

Os rebeldes afirmaram que há centenas de novos combatentes chegando à capital, vindos do oeste do país.

Mais de 1,3 mil mortos em ofensiva rebelde contra Trípoli

TRÍPOLI - Mais de 1,3 mil pessoas já teriam morrido na ofensiva rebelde contra Trípoli, iniciada na noite de sábado, afirmou neste domingo, 21, um porta-voz do governo líbio. "Em 24 horas, 1,3 mil pessoas foram mortas em Trípoli", declarou Mussa Ibrahim, o porta-voz, em uma entrevista coletiva concedida na noite de hoje na capital líbia.

Horas antes, uma fonte no governo informara que pelo menos 376 pessoas haviam morrido e mais de mil tinham ficado feridas na ofensiva rebelde contra Trípoli. Não havia meios de obter confirmação independente do número de vítimas.

Ibrahim qualificou a situação como "uma verdadeira tragédia", mas assegurou que o regime "ainda está forte e milhares de voluntários e soldados estão prontos para lutar".

Forças rebeldes iniciaram na noite de sábado uma ofensiva sobre a capital. Os confrontos continuavam na noite deste domingo, com combates em diversos bairros de Trípoli. Comandantes rebeldes afirmavam que o regime do coronel Muamar Kadafi cairia "em questão de horas".

Rebeldes líbios chegam a Trípoli sem sinal de resistência

Por Ulf Laessing

AL-MAYA, Líbia (Reuters) - Combatentes rebeldes da Líbia entraram nos subúrbios de Trípoli no domingo com pouco sinal de resistência, apesar do pedido do líder Muammar Gaddafi para que os líbios pegassem em armas e esmagassem uma revolta na capital.

Um grupo de rebeldes entrou pela parte ocidental da cidade atirando para o ar, disse uma testemunha. Segundo um repórter da Sky News, houve comemoração nas ruas.

As tropas rebeldes estavam fechando o cerco à capital desde sábado, para um ataque final ao reduto do líder líbio.

"Temo que se não agirmos, eles vão queimar Trípoli", disse Gaddafi em uma mensagem em áudio transmitida pela TV estatal. "Não teremos mais água, comida, eletricidade ou liberdade."

Milhares de combatentes rebeldes foram vistos a 20 quilômetros a oeste de Trípoli, indo em direção à capital na noite de domingo, segundo um correspondente da Reuters. Durante o avanço, os rebeldes assumiram o controle de um quartel pertencente à brigada de Khamis, uma unidade de segurança de elite, comandada por um dos filhos de Gaddafi, Khamis.

Os confrontos de sábado à noite e domingo de manhã mataram 376 pessoas em ambos os lados e feriram cerca de 1.000, de acordo com uma autoridade do governo que pediu anonimato.

O tiroteio começou na noite de sábado em Trípoli, numa revolta coordenada que as células rebeldes vinham preparando secretamente há meses. Momentos depois, clérigos muçulmanos, usando os alto-falantes das mesquitas chamaram o povo para as ruas.

Em sua segunda transmissão de áudio em 24 horas, Gaddafi chamou os rebeldes de ratos.

"Estou ordenando que abram os depósitos de armas", disse Gaddafi. "Conclamo todos os líbios a aderirem a essa luta. Aqueles que tiverem medo podem dar suas armas às suas mães ou irmãs."

"Vamos lá, estou com vocês até o fim. Estou em Trípoli. Vamos vencer."

Os combates dentro de Trípoli, combinados com os avanços dos rebeldes em direção à periferia da cidade, parecem sinalizar que essa é a fase decisiva de um conflito que já dura seis meses e se transformou no mais sangrento da "Primavera Árabe", envolvendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"As chances de uma saída segura para Gaddafi diminuem a cada hora", disse Ashour Shamis, um ativista da oposição da Líbia e editor baseado na Grã-Bretanha.

Mas a queda de Gaddafi, depois de 41 anos no poder, não é dada como certa. A capital é bem maior do que qualquer coisa que os combatentes anti-Gaddafi, em sua maioria amadores, com suas armas velhas e uniformes improvisados, tiveram que enfrentar.

Se o líder líbio for forçado a sair do poder, haverá dúvidas quanto à capacidade da oposição de restabelecer a estabilidade nesse país exportador de petróleo. O comando das forças rebeldes tem sido abalado por disputas e rivalidades.

Os rebeldes disseram depois de uma noite de intensos combates que controlavam um punhado de bairros na cidade.

O avanço dos rebeldes em direção à capital foi rápido e não houve nenhum sinal de grande resistência por parte das forças de segurança de Gaddafi. Nas últimas 48 horas, os rebeldes tinham avançado cerca de 30 km para Trípoli, reduzindo a distância entre eles e a capital pela metade.

"Os rebeldes podem ter chegado muito cedo a Trípoli e o resultado poderá ser muitos confrontos sangrentos", disse Oliver Miles, um ex-embaixador britânico na Líbia. "Pode ser que, na cidade, o regime não tenha caído tanto quanto eles acham que caiu."

Share