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(sistema de defesa terra-ar Indiano Akash, um exemplo de sucesso em termos de conquista tecnológica)
A Venezuela pretende comprar na Rússia aviões e armas antiaéreas por um total de um bilhão de dólares de crédito concedido pela Rússia, declarou esta sexta-feira (26) o subdiretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologia, Konstantin Makienko.
“Venezuela necessita, em primeiro lugar, dos mísseis antiaéreos Tor-1 para defender os aeródromos onde estão estacionados os 24 caças Su-30MK2, comprados na Rússia”, disse Makienko.
“ É seguro que Venezuela também comprará lança-mísseis antiaéreos portáteis Igla –S, assim como aviões- tanque Il-78 e aviões de transporte Il-76 “, disse o experto. Entre 2005 e 2007 Venezuela e Rússia firmaram 12 contratos sobre o fornecimento do armamento russo ao país latino que se avaliam por um total superior a 4,4 bilhões de dólares.
A Venezuela já comprou na Rússia 24 caçasSu-30MK2, 50 helicópteros Mi-17,Mi-35 e Mi-26, e construiu uma planta de fuzis Kalasnikov, a arma que figura na bandeira de Moçambique, e é mundialmente reconhecida. A informação é da conferência de imprensa depois do encontro Medvedev-Chávez.
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UMA ANÁLISE DE NOSSAS DEFESAS TERRA-AR
O que é interessante notar é que Chávez reforça a Venezuela exatamente onde o Brasil é tremendamente frágil, ou seja, em termos de defesas terra-ar.
Ora, dentro de um panorama internacional que se destaca por uma volta ao expansionismo territorial (uma volta ao colonialismo?), quer disfarçado (Iraque, Afeganistão), quer declarado (Georgia), as grandes ameaças à soberania e integridade territoriais dos países em desenvolvimento correspondem às pretensões e as necessidades de matéria-prima por parte dos países desenvolvidos.
Nessa atual conjuntura, qualquer ESTADISTA ou MINISTRO MILITAR com um mínimo de capacidade e visão de defesa, haveria de investir de maneira inteligente em DEFESAS TERRA-AR (e mar-ar) como meio (o mais barato em termos de custo-benefício) de evitar a principal estratégia de invasão (para não dizer a única das últimas décadas) dos países desenvolvidos, que corresponde à estratégia de superioridade aérea.
A ESTRATÉGIA DE SUPERIORIDADE AÉREA (uma análise resumida)
A) Motivação (da existência da estratégia) por perdas
Em resumo, em sociedades desenvolvidas e democráticas há uma atitude naturalmente refratária ao expansionismo militar (algo que não se aplica à Rússia, onde as massas vinculam, historicamente, bons governos a conquistas). Além disso, um eventual apoio inicial (conquistado previamente com grandes manipulações prévias por meio da mídia), tende a cair bruscamente face a números significativos de baixas em tais conflitos. Assim se deu com: a) o Vietnã; b) com o acordo para a separação das Coréias; c) e na primeira guerra do Iraque, onde após uma fácil incursão pelas fronteiras, as Forças Armadas americanas se detiveram a quilômetros de Bagdad, quando descobriram que todo o exército iraquiano (na época, com razoável material militar) estava "entocado" na cidade, à espera dos americanos. Mesmo George Bush (o pai) preferiu retroceder, em vista das previsíveis perdas americanas no processo de conquista da cidade.
B) Motivação humanista
Por outro lado, com a grande cobertura da mídia livre, nos dias atuais, o homem comum não vê mais os conflitos armados com o romantismo que era alardeado pelos Estados até os anos 40. Em especial, a partir do Vietnã, onde houve um acompanhamento, sem precedentes até então, do desenvolvimento da guerra bem como das vítimas civis, a comunidade internacional têm se colocado fortemente contrária a qualquer tática ou ataque que tenha como consequência o sacrifício de inocentes. Uma atitude natural para um mundo que viu as consequências do militarismo irrefreado (vitória a qualquer custo) de Stalin e Hitler.
Tal tendência negativa às baixas civis, que é diretamente proporcional ao nível de liberdade de imprensa e informação de um dado Estado, se por um lado criou um fator refratário a determinadas estratégias, por outro serviu de berço ao nascimento de várias concepções de ataque/defesa:
I) guerrilheiros do Hezbolah se misturam e escondem-se em áreas densamente povoadas (com a óbvia conivência dos cidadãos locais), como meio de evitar um ataque aéreo estratégico ou bombardeio, uma vez que, se este ocorresse traria por consequência tremendas baixas civis e uma forte crítica/oposição popular dentro do Estado agressor e comunidade internacional;
II) foi desenvolvido o conceito de "ataque cirúrgico", caracterizado por um nível de precisão inédito, quer por meio de bombas guiadas a laser, TV ou GPS, entre outros. Os altíssimos gastos aplicados no desenvolvimento e fabrico de tais equipamentos de ataque têm por objetivo não apenas maximizar a eficiência, como ainda neutralizar/diminuir os danos colaterais (civis).
C) Objetivos
Face a tais condicionantes, as forças agressoras de países desenvolvidos têm utilizado como estratégia básica a superioridade aérea (qualitativa e quantitativamente) como meio de aniquilar não apenas os principais meios de defesa, como ainda a capacidade de comando, bem como as estruturas energéticas do país agredido. Tudo isso como etapas anteriores necessárias a qualquer invasão com baixo índice de perdas humanas por parte da força agressora.
Citando Col John A. Warden III, ("Air Theory for the Twenty-first Century", 1995):
"Se o inimigo não responder aos custos de guerra impostos...deve-se impor paralisia operacional ou estratégica em nosso inimigo, de modo a que ele se torne incapaz de esboçar oposição a nossas forças". Tais ataques visam atingir o centro de gravidade do poder, na seguinte ordem:
a) segurança (radares, alertas, SAM's, etc));
b) governo (líderes, comunicações (internet, TV, telefone, etc);
c) energia (eletricidade, petróleo, alimentos);
d) infraestrutura (estradas, portos, aeroportos, fábricas)
e) apenas por último, as forças armadas de defesa.
D) Consequências sobre as forças de defesa de países menos desenvolvidos
Com a aniquilação da capacidade de detecção a longa distância (conquistada com a destruição de radares -móveis ou fixos, e outras defesas aéreas), os (geralmente) poucos aviões capazes de oferecer resistência aérea se tornariam alvos fáceis de forças melhores equipadas e mais numerosas. Logo, num país sem qualquer capacidade de defesa terra-ar significativa (como é o óbvio caso do Brasil), a inevitável destruição da capacidade de guerra ar-ar levaria a uma rápida consecução dos demais objetivos das forças agressoras.
Em resumo, os objetivos maiores das forças agressoras seriam facilmente cumpridos: a) invasão rápida, b) baixas perdas por parte dos agressores.
É claro que poderíamos falar de guerra de resistência, de estratégia de guerra assimétrica (exaustivamente treinados por nosso alto comando) como resposta (única) a uma eventual agressão por grandes potências, porém, isso se trata de estratégia pós-invasão, sendo que o que se debate aqui é como evitar a invasão.
A ESTRATÉGIA DE DEFESA TERRA-AR COMO MEIO INIBIDOR
Claro que, numa análise meramente matemática, seria impossível a oposição de uma invasão por grandes potências no atual estágio de aparelhamento e recursos de nossas forças. E, mesmo se for verdadeira a intenção do atual governo (algo que não acreditamos) de reequipar as defesas nacionais, ainda assim tal quadro persistiria, dado o gigantesco desnivelamento entre a capacidade bélica das grandes potências em relação aos países em desenvolvimento. O mesmo se aplicando, inclusive, à China (em termos qualitativos) e à Índia (qualitativa e quantitativamente, se comparada aos EUA, por exemplo).
Todavia, em termos realistas (não apenas matemáticos), a Índia (e China obviamente) hoje encontra-se em situação de virtual invulnerabilidade. Não porque possua forças capazes de derrotar as grandes potências, mas porque são suficientes para lhes gerar pesados custos em caso de qualquer pretensão agressora. Tanto material, quanto humanamente. O que levaria à oposição interna por parte das massas dos países agressores.
Nesse sentido, o uso inteligente de defesas terra-ar serve como um atenuador do desnivelamento entre forças, na medida em que gera uma ambiente de imprevisibilidade no ataque, pois, por exemplo
a) Forças de Desembarque Rápido não podem voar impunes pelo território sem temer serem atingidas por mísseis portáteis terra-ar;
b) Aviões Stealth voando a alta altitude não ingressarão impunemente no território, sem correrem o risco de serem abatidos por mísseis terra-ar (SAM) de longa distância;
c) Helicópteros de ataque a tanques não "passearão" pelo teatro de operações sem o grave risco de serem alvejados por baterias móveis autotransportadas;
d) mísseis de longa distância não destruirão com facilidade nossos radares na medida em que possuirmos mísseis capazes de interceptá-los, talvez em baterias móveis também;
Logo o reforço da defesa do espaço aéreo nacional focado em mísseis, fixos ou móveis, tem como vantagens:
a) relativa mobilidade (no caso de autotransportados e montáveis);
b) baixo custo de aquisição, se comparados a apenas aviões de interceptação;
c) permanência da defesa aérea - local e estratégica (em caso de destruição da capacidade de defesa baseada em aviões ou indisponibilidade da defesa aérea alada momentaneamente no teatro de operações);
d) defesa permanente de pontos estratégicos (um avião leva algum tempo para levantar vôo e engajar o alvo e não pode estar 24 horas nos céus);
e) manutenção e disponibilidade perto de 100%, se comparados ao número de aviões que devem ficar em manutenção entre missões;
f) fator surpresa. Não se pode esconder um avião, mas um míssil anti-aéreo pode ser colocado dentro de qualquer casa/cabana ou bunker;
ANTECIPAÇÃO DE CRÍTICAS
Antes de mais nada, cabe esclarecer aqui que não se visa desviar recursos da Força Aérea ou muito menos diminuir sua grande importância tanto em termos de defesa quanto de ataque. O que se prega por meio desta brevíssima análise é ressaltar a importância de uma segunda camada de defesa aérea que, operando em conjunto com a defesa alada, poderiam gerar uma capacidade dissuasória realmente eficiente, quando analisado o panorama de um ataque por forças muito superiores.
CONCLUSÃO
A criação de uma força de defesa terra-ar, tanto estratégica (longa distância) quanto pontual (curta distância, móvel), pode ser implementada a curto prazo e a relativamente baixo custo, sendo um elemento imprescindível dentro de uma estratégia que contemple a hipótese (cada vez mais real) de um ataque por forças de grandes potências.
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