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A FAB perseguiu um monomotor carregado com 176 kg de cocaína em
Rondônia. Os pilotos da Aeronáutica deram tiros de advertência contra
os bolivianos que o pilotavam.
Os tiros contra a aeronave
boliviana foram os primeiros desde a Lei do Abate, quando
a FAB interceptou avião boliviano com
300 kg de cocaína na fronteira do Brasil.
O conceito adotado pelos pilotos da FAB só foi possível em
razão da Lei do Abate, que passou a vigorar a partir de 2004.
O delegado federal afirmaque a fronteira do Brasil com a Bolívia, no trecho do estado de
Rondônia, é composta por muitasáreasalagadas e por pouca área
seca. "Se eles optarem por mudar a logística de transporte de drogas por
terra, isso vai facilitar a nossa ação de repressão junto com a Polícia
Rodoviária Federal (PRF). Caso eles escolham o transporte aquático, o custo
deles vai ser bem maior", afirmou Sanchez.
Sanchez disse que os resultados da interceptação ainda não
podem ser apreendidos na última ponta do tráfico de drogas, que é o viciado.
"Isso vai demorar cerca de três meses. Após essa operação da FAB, acredito
que os traficantes tenham de repensar suas estratégias. Com isso, os custos do
tráfico devem aumentar e, por consequência, o valor da droga para o usuário
também tende a subir."
A interceptação da FAB
O vídeo apresentado pela Aeronáutica mostra a perseguição ocorrida
na quinta-feira, dia 4, a uma aeronave que transportava 176 quilos de cocaína. A aeronave não chegou a
ser abatida. Dois bolivianos que pilotavam o avião – os quais, tentaram fugir após o
pouso – foram presos pelas polícias Civil e Federal.
O avião bolivianoencontrava-seauma altitude de 500 metros quando foi
identificado pelo avião-radar E-99 e por um A-29. Somente após o tiro de
alerta, o piloto da aeronave suspeita obedeceu às ordens da FAB. (na verdade, a
ordem era para se dirigirem a um aeroporto, mas os traficantes guinaram
rapidamente a aeronave para uma pista de pouso clandestina, na tentativa de
fugir a pé, mas não conseguiram).
Com base jurídica na Lei do Abate, os militares da FAB dispararam
duas rajadas de tiros de metralhadora, após os pilotos terem ignorado os diversos procedimentos de comunicação e identificação.
Eles arriscarammanobrar o avião em direção à fronteira com a
Bolívia.
Os pilotos do monomotor pousaram em uma estrada de terra de
Izidrolândia, no interior de Rondônia. Primeiramente, a Polícia Federal havia avaliado
que seriam 300 kg de droga. "Nós só
fomos acionados pela FAB no momento de fazer a abordagem da aeronave e dos
traficantes", disse Sanchez.