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Na conversa com jornalistas, em seu gabinete, em Brasília, Alencar,
ao ressaltar a necessidade de o Brasil ter meios para proteger seu
patrimônio, citou o caso do Paquistão, que, segundo o vice, embora seja
um país pobre, tem assento em vários organismos internacionais,
justamente por ter a bomba atômica. "Eles sentam à mesa porque eles têm
arma nuclear. É vantagem? É, até do ponto de vista de dissuasão é. É
importante", observou.
Na opinião do presidente em
exercício, "nós, brasileiros, às vezes somos muito tranquilos. Nós
dominamos a tecnologia da energia nuclear, mas ninguém aqui tem uma
iniciativa para avançar nisso. Temos que avançar nisso aí". Em seguida,
Alencar passou a pregar também a necessidade de aumento do orçamento
das Forças Armadas e da vinculação deste orçamento ao PIB. "Precisa ter
uma percentualidade do PIB entre 3% e 5%, que daria muita força para o
sistema de defesa, que precisa de cuidado e está abandonado há muito
tempo", comentou Alencar, que já foi ministro da Defesa.
O
presidente em exercício disse que este avanço nas pesquisas tem de ser
para fins pacíficos, mas o fato de ter o artefato, "reforça" o poder do
país. "Não estou dizendo que o Brasil vai fazer isso ou não e nem quero
dizer se quero ou se não quero. Estou fazendo uma análise como
brasileiro. Se nós estivéssemos nessas condições, imagina o que seria o
Brasil? A respeitabilidade do país cresceria muito. Tem aquela frase `a
força é o direito e a justiça é o poder do mais forte'", emendou.
As
declarações de José Alencar foram dadas no mesmo dia que o Conselho de
Segurança (CS) das Nações Unidas aprovou uma resolução com o fim de
conter a disseminação das armas nucleares no mundo. O Conselho, com
cinco membros permanentes e dez rotativos, passou a medida por
unanimidade. O Brasil reivindica um assento no Conselho. Anteontem,
Lula se reuniu por mais de uma hora, com o presidente do Irã, Mahmoud
Ahmadinejad, e fez uma enfática defesa do colega iraniano, apoiando,
inclusive, o direito de Teerã enriquecer urânio, material das bombas
nucleares.
Questionado se esta declaração de defesa de
armas nucleares não precisaria de mudanças na Constituição, Alencar
lembrou que somos signatários do Tratado de Não proliferação de Armadas
nucleares, mas, em seguida, emendou: "eu acho que isso é tudo
negociado, é tudo conversado".
Alencar retornou de São
Paulo na noite de quarta-feira, depois de mais uma sessão de
quimioterapia. Na semana que vem, Alencar reassume a presidência, com a
ida de Lula para a Europa.
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