O conceito de ESG (Environmental, Social and Governance) emergiu como um dos principais balizadores do capitalismo contemporâneo. Mais do que uma sigla, ele representa uma tentativa de redefinir o propósito das corporações, alinhando a busca por lucro com métricas de impacto ambiental, responsabilidade social e transparência administrativa.
Essa transformação está profundamente conectada ao que se convencionou chamar de "capitalismo de stakeholder" (ou das partes interessadas). Em contraste com o modelo tradicional de primazia do acionista (shareholder), a abordagem dos stakeholders propõe que as empresas sirvam não apenas aos seus investidores, mas também a funcionários, comunidades, fornecedores e ao meio ambiente. O Fórum Econômico Mundial e figuras como Larry Fink (BlackRock) tornaram-se arautos dessa visão, gerando tanto adesão quanto forte controvérsia.
O "impacto nas redes" que dá título a esta página refere-se ao duplo papel da comunicação digital nesse cenário. Por um lado, as redes sociais funcionam como um poderoso amplificador de cobranças por práticas ESG, expondo empresas a escrutínio público, boicotes e ativismo digital em escala global. Por outro, o próprio ecossistema digital tornou-se um campo de batalha geopolítico, onde grandes plataformas são pressionadas a adotar (ou não) critérios ESG em suas políticas de moderação, curadoria de conteúdo e governança de dados.
A adoção do ESG não está isenta de críticas. Acusações de "greenwashing" (maquiagem verde), "woke capitalism" (capitalismo despolitizado) e a utilização da pauta como ferramenta de controle burocrático são frequentes, especialmente em setores mais tradicionais e em nações com visões geopolíticas distintas. Para o leitor de A Estratégia, compreender essa intersecção entre economia, política, tecnologia e as novas dinâmicas de poder nas redes é fundamental para decifrar os rumos da geopolítica global no século XXI.