EUA jogam corpos de seus proprios soldados mortos no LIXO (LEIA).
Escândalo: A Força Aérea dos EUA confessou ter jogado as cinzas dos restos mortais de pelo menos 274 soldados americanos em um lixão no Estado de Virgínia. O número é muito maior do que as Forças Armadas haviam reconhecido há três anos, quando interromperam a aplicação do método, usado até então em sigilo.
O local do lixão não foi revelado às famílias, que haviam autorizado o governo a dar um "fim digno e respeitoso" a seus parentes. A Força Aérea sempre declarou que não tinha condições de avaliar o número exato de soldados cujos restos mortais foram enviados para o lixão. A prática foi revelada no mês passado pelo Washington Post, que documentou o caso de um soldado cujos restos foram enviados para o lixão do Condado de King George.
Representantes da Força Aérea e do Pentágono disseram no mês passado que estabelecer quantos restos mortais foram enviados para o depósito de lixo seria uma tarefa que exigiria uma busca exaustiva nos registros de mais de 6.300 soldados que passaram pelo necrotério desde 2001.
Pressionada, a Força Aérea apresentou números esta semana. Entre 2004 e 2008, teriam sido cremados e levados ao depósito 976 fragmentos de 274 militares. Outro grupo de 1.762 restos mortais não identificados foi recolhido no campo de batalha e teve o mesmo destino. Os fragmentos não puderam ser submetidos a testes de DNA por estarem excessivamente queimados ou danificados em explosões. O total de fragmentos cremados colocados no depósito de lixo ultrapassa 2.700.
Representantes da Força Aérea declararam que o primeiro registro de utilização do lixão para essa finalidade data de 23 de fevereiro de 2004. O banco de dados do necrotério começou a operar no final de 2003. Segundo a Força Aérea, os diretores do necrotério decidiram acabar com a prática em maio de 2008. Agora, as Forças Armadas cremam partes dos corpos não reclamadas e não identificadas e jogam as cinzas no mar.
Gari-Lynn Smith, a viúva de um sargento do Exército morto no Iraque, afirmou que recebeu em julho um e-mail de Trevor Dean, diretor do necrotério, dizendo que os restos cremados eram levados para depósitos de lixo pelo menos desde que ele começou a trabalhar em Dover, em 1996. Dean é um dos funcionários que será punido por ter contribuído para divulgar os desmandos administrativos.
O marido de Gari-Lynn, Scott R. Smith, membro de uma unidade especializada em desativar bombas, morreu em 17 de julho de 2006. Em 2007, ela começou a perguntar o que tinha acontecido com os restos mortais do marido. Em abril ela recebeu uma carta do necrotério contando sobre o destino. "É um problema moral", disse Jeff Jenkins, gerente do depósito de King George. "Eu não gostaria que pessoas que morreram lá fora combatendo pelo nosso país fossem enterradas - nenhuma parte delas - no depósito de lixo."
A pergunta que fica é: qual moral terá as forças armadas americanas para continuar recrutando soldados, geralmente com argumento de "lutar pela pátria", se essa "pátria" te joga no lixo, mesmo após sacrificar seu bem mais valioso em nome dela, sua vida?
Na verdade, a prática apenas escancara aquilo que é o capitalismo americano. Somos todos descartáveis em nome do lucro. Túmulos? Para que? Custa dinheiro. Jogue-os no lixo...
Fonte: THE WASHINGTON POST
Embraer pode fechar contrato com a Defesa dos EUA
O Super Tucano, avião de ataque leve e apoio próximo à tropa terrestre, da Embraer, está bem próximo de levar o contrato da Força Aérea americana, a USAF, para o fornecimento inicial de 15 a 20 aeronaves. A encomenda vale cerca de US$ 250 milhões. O benefício maior, entretanto, é a certificação dos Estados Unidos para um produto brasileiro de considerável valor agregado e de emprego militar.
O mercado internacional para essa classe de equipamento é avaliado em US$ 3,5 bilhões, envolvendo 300 aeronaves a serem adquiridas até 2020.
A posição da Embraer Defesa e Segurança (ODS) na disputa pelo programa Light Attack Air Suport, LAS, melhorou muito com a exclusão do outro único finalista, o AT-6 da Hawker Beechcraft, afastado da competição na semana passada. A empresa, de Wichita, no Estado do Kansas, reagiu à decisão com perplexidade.
Em nota oficial, disse que recebeu a informação por carta, "embora tenha trabalhado dois anos com a USAF (no programa)". No mesmo comunicado, a Hawker - Beechcraft se diz "preocupada e confusa" com o fato da correspondência da USAF "não oferecer qualquer justificativa para a resolução". A Embraer Defesa não comentou o episódio.
Problemas
O fabricante americano acumula dificuldades. Exigência do LAS, o avião apresentado não pode estar em fase de desenvolvimento. Na nota, a Hawker destaca que fez investimentos da ordem de US$ 100 milhões "preparando o atendimento aos requisitos da Força". A aplicação caracteriza aplicação no projeto de engenharia do AT-6. O avião nunca entrou em combate e só recentemente pode realizar os testes iniciais com bombas inteligentes, guiadas a laser, no Arizona, de 28 de setembro e 5 de outubro.
A companhia divulgou que está pedindo explicações à USAF e que vencer a escolha permitiria gerar 1.400 empregos em 20 Estados.
Já o Super Tucano está em produção desde 1999, ano do primeiro voo, e em operação a contar de 2004 – sete nações adotaram o turboélice. Os pedidos em carteira somam 180 unidades. As entregas batem em 152 aviões.
Em outubro o modelo foi certificado pela FAA, a agência americana que regula o setor aeronáutico nos EUA. O Emb-314 foi provado em ação. Acumula 18 mil horas de combate sem perdas. A Embraer tem, a seu favor, outro fator estratégico: mantém uma parceria com a corporação Sierra Nevada para fabricar o Super Tucano em Jacksonville, na Flórida, em complexo industrial próprio, gerando empregos locais. A decisão do Departamento de Defesa, o Pentágono, deve sair no começo de 2012.
O interesse da aviação americana é por um avião capaz de oferecer apoio à tropa em terra. Os caças pesados são caros. O gasto com a operação, alto. A hora de voo do supersônico F-16E não sai por menos de US$ 6,5 mil, contra apenas US$ 500 do Super Tucano. Mais que isso, leva carga eletrônica embarcada equivalente e cumpre a missão de contrainsurgência, ataque leve, interceptação de alvos de baixo desempenho e a instrução avançada, com reduzido custo de operação e alto rendimento.
O batismo de fogo foi em 18 de janeiro de 2007. Dois esquadrões da Força Aérea da Colômbia despejaram 4,5 toneladas de explosivos sobre as instalações de um comando das Forças Armadas Revolucionárias, as Farc.
Em março de 2008, um número não revelado de aviões bombardeou um acampamento das Farc localizado pela inteligência colombiana em território do vizinho Equador. O alvo foi iluminado por dois times de operações especiais, em terra. Foram usadas bombas inteligentes do tipo Paveway, fornecidas por Israel.
No começo do mês, oito Super Tucanos participaram da Operação Odisseia, que lançou um novo tipo de bomba de precisão na base do comandante da guerrilha, Afonso Cano.
Motor exocet MM40 Nacional (block II?). O Brasil andando para trás, como sempre
Por meio da Gerência Especial para Mísseis da Marinha, foi realizado em 20 de setembro, a queima em bancada do motor nacional para a recertificação dos Mísseis Exocet MM40. O motor foi desenvolvido pela empresa AVIBRAS com transferência de tecnologia para o projeto, fornecida pelo próprio fabricante do míssil – a empresa francesa MBDA.
Tudo isso serioa motivo de comemoração dos ufanistas de plantão, não fosse um pequeno detalhe: trata-se da versão "block II", uma versão ultrapassada e sem uso real em teatro de guerra. E por qual razção podemos afirmar isso? Basta começar pelo alcance: o block II tem alcance de apenas 75km, enquanto o block III (modelo atual sendo comercializado) tem alcance de mais de 150km, o dobro. Ou seja, bastaria uma "lancha" armada com um exocet block III para mandar um navio de guerra brasileiro de grande porte para o fundo do oceano, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa.
E não me venham falar que estamos bem em comparação com nossos vizinhos, pois até mesmo o Peru possui exocet mm40 block III em suas fragatas Classe Lupo.
Aliás, é preciso colocar o dedo na ferida. A única utilização "razoável" desses ultrapassados meios seria para uma estratégia de defesa costeira (imaginando-se que uma invasão por mar em massa seria uma das formas de se conquistar territórios brasileiros), visando impedir desembarques em massa do inimigo. Porém, partindo do pressuposto que isso somente ocorreria após a destruição de todos nossos radares, algo não muito difícil tendo-se em vista nossa RI-DÍ-CU-LA capacidade de defesa terra -ar (nem considero a aeronautica, com seus museus voadores e baixo número de vetores) , tal estratégia seria inócua.
Ou o Brasil parte logo para o desenvolvimento de meios REAIS de disuasão ou, quando a coisa acalmar no oriente médio e voltarmos a ser a "bola da vez", será tarde demais.
PMERJ tera nova tropa de elite
A nova tropa contará com melhores equipamentos que o BOPE, segundo a emissora paulista. Dependendo da missão, a nova tropa poderá contar fazer uso de armas modernas ou até mesmo fazer uso de um colete à prova de balas de alta tecnologia. Ainda sobre o armamento, os novos operadores farão uso de caneleiras, cotoveleiras, joelheiras, capacetes... A farda da tropa será em tom azulado.

Brasil desenvolvera satelite com parceria da Africa do Sul e India
O projeto do primeiro satélite conjunto de Brasil, Índia e África do Sul deve ser reabilitado na próxima semana, durante o encontro do Ibas (cúpula que reúne os três países), em Pretória.
Proposto há dois anos pelo Brasil, o projeto compreende dois microssatélites, um para o estudo do clima espacial, outro para observação da Terra.
O de clima espacial, dedicado ao estudo de fenômenos como tempestades solares, deverá ser o primeiro da parceria. No Brasil, a coordenação do projeto será do Inpe.
De acordo com os negociadores brasileiros, o custo total deve ficar em torno de US$ 10 milhões, além de cerca de US$ 7 milhões gastos para o lançamento do satélite. O custo é considerado relativamente baixo.
A África do Sul desenvolveria o chamado controle de atitude do satélite, o conjunto de instrumentos de posicionamento da máquina. O Brasil seria responsável pelos sensores de coleta de dados e caberia à Índia o lançamento da sonda.
Especialistas da área espacial ouvidos pela Folha afirmam, porém, que o gigante asiático está reticente em relação à parceria trilateral.
A Índia, afinal, é uma potência espacial emergente, que recentemente lançou uma sonda na superfície da Lua e não tem interesse em um projeto tecnologicamente mais elementar. O maior interesse indiano seria o de vender a tecnologia.
No encontro da próxima semana, que terá a presença da presidente brasileira, Dilma Rousseff, do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, brasileiros e sul-africanos irão pressionar politicamente os colegas asiáticos para embarcar no projeto.
O satélite era visto com entusiasmo no governo Lula, por dar “materialidade” ao grupo de países do hemisfério Sul. “Tem um aspecto positivo de cooperação tecnológica sul-sul”, diz o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
A Índia, entretanto, é essencial para o projeto, porque o custo de lançamento de um microssatélite por quilo é mais elevado do que o de um satélite de 5 toneladas.
Além disso, como a ideia é cobrir tanto o Brasil quanto a África do Sul, a nave teria de ser lançada numa órbita oblíqua.
Ou seja, nem circulando os polos, como a maioria dos satélites de sensoriamento remoto, nem equatorial, como os satélites geoestacionários.
Para isso, seria necessário embarcar o microssatélite de “carona” com algum outro satélite num foguete indiano. “A Índia explora esse tipo de órbita”, diz Câmara.
A África do Sul e o Brasil têm interesse em cooperação tecnológica, já que já são parceiros diplomáticos nos fóruns internacionais sobre uso pacífico do espaço. A África do Sul também abriga a primeira estação de recepção de imagens do satélite sino-brasileiro CBERS, que distribui imagens para a África.
O país africano tem, ainda, capacidade tecnológica “ociosa” nessa área, resquícios de um programa de cooperação nuclear com Israel durante o regime do apartheid (1948-1994).

As consequencias para o mundo do declinio dos Estados Unidos

Hoje, a opinião de que os Estados Unidos estão em declínio, em sério declínio, é uma banalidade. Todos o dizem, excepto uns poucos políticos norte-americanos que temem ser recriminados pelas más notícias da decadência se forem discuti-la. O fato é que hoje quase todos acreditam na realidade do declínio.
Mas o que se discute muito menos é quais têm sido e serão as consequências mundiais deste declínio. Este tem, evidentemente, raízes econômicas. Mas a perda de um quase-monopólio do poder geopolítico, que os Estados Unidos já exerceram, tem as mais importantes consequências políticas em todo o lado.

Immanuel Maurice Wallerstein
Comecemos com uma pequena história contada na secção de negócios do The New York Times de 7 de agosto. Um gerente financeiro de Atlanta “carregou no botão pânico” devido a dois clientes que lhe ordenaram que vendesse todas as suas ações e investisse o dinheiro num isolado fundo mútuo. O gerente disse que, em 22 anos como agente de negócios, nunca tinha recebido uma ordem como esta. “Isto não tinha precedentes”. O jornal observou que a ordem era o equivalente à “opção nuclear”. Ia contra o santificado conselho tradicional de uma “abordagem ponderada” às reviravoltas do mercado.
A Standard & Poor’s reduziu o rating dos Estados Unidos de AAA para AA+, o que também é “sem precedentes”. Mas tratou-se de uma ação bastante suave. A agência equivalente na China, a Dagong, já tinha reduzido a notação financeira, em novembro passado, para A+, e agora reduziu-a para A-. O economista peruano Oscar Ugarteche declarou que os Estados Unidos são uma “República das bananas”. Disse que os EUA “optaram pela política da avestruz, esperando com isso não afugentar as esperanças [de melhoria].” Reunidos em Lima, os ministros das Finanças da América do Sul tiveram um debate urgente sobre como se protegerem melhor dos efeitos do declínio econômico dos EUA.
O problema de todos é que é muito difícil isolar-se destes efeitos. Apesar da severidade do seu declínio econômico e político, os Estados Unidos permanecem um gigante na cena mundial, e qualquer coisa que lá aconteça ainda provoca grandes ondas em todo o lado.
É certo que o maior impacto do declínio dos EUA é e continuará a ser sofrido nos próprios Estados Unidos. Políticos e jornalistas estão a falar abertamente da “desfuncionalidade” da situação política dos EUA. Mas o que mais poderia ser, além de desfuncional? O fato mais elementar é que os cidadãos dos EUA estão atordoados pela simples existência do declínio.
Não se trata apenas de os cidadãos dos EUA estarem sofrendo materialmente com o declínio, e terem um temor profundo de virem a sofrer ainda mais com o tempo. A questão é que acreditavam profundamente que os Estados Unidos são a “nação escolhida”, designada por Deus ou pela história para ser a nação modelo do mundo. Ainda estão a receber a garantia do presidente Obama de que os Estados Unidos são um país AAA.
O problema para Obama e para todos os políticos é que muito pouca gente ainda acredita nisso. O choque para o orgulho nacional e a auto-imagem é formidável, e também é muito abrupto. O país está lidando muito mal com esse choque. A população está à procura de bodes expiatórios e a fustigar feroz e não muito inteligentemente os presumíveis culpados. A última esperança parece ser a de alguém ser culpado, e o remédio mudar as pessoas que têm autoridade.
Em geral, as autoridades federais são vistas como as únicas responsáveis –o presidente, o Congresso, os dois maiores partidos. A tendência é muito forte no sentido de haver mais armas a nível individual e uma redução do envolvimento militar fora dos Estados Unidos. Culpar de tudo os políticos de Washington leva à volatilidade política e a lutas intestinas locais cada vez mais violentas. Eu diria que os Estados Unidos são hoje uma das menos estáveis entidades políticas no sistema-mundo.
Isso faz dos Estados Unidos não só uma nação cujas lutas políticas são desfuncionais, mas também um país incapaz de exercer muito poder real no cenário mundial. Assim, há uma grande queda na credibilidade dos Estados Unidos e do seu presidente por parte de tradicionais aliados externos, e por parte da base política doméstica do presidente. Os jornais estão cheios de análises dos erros políticos de Barack Obama. Quem pode contradizê-los? Eu poderia fazer facilmente uma lista de dezenas de decisões de Obama que, na minha opinião, estavam errados, foram covardes, e às vezes francamente imorais. Mas pergunto-me: se ele tivesse decidido de acordo com o que pensa a sua base, o resultado teria sido muito diferente?
O declínio dos Estados Unidos não é o resultado de más decisões do seu presidente, mas de realidades estruturais no sistema-mundo. Obama pode ser ainda o indivíduo mais poderoso do planeta, mas nenhum presidente dos Estados Unidos é ou poderia ser hoje tão poderoso quanto os presidentes do passado.
Entrámos numa era de agudas, constantes e rápidas flutuações – nas taxas de câmbio da moeda, nos índices de emprego, nas alianças geopolíticas, nas definições ideológicas da situação. A extensão e a rapidez destas flutuações leva à impossibilidade de previsões a curto prazo. E sem alguma estabilidade razoável das previsões de curto prazo (três anos ou mais), a economia-mundo paralisa-se. Todos terão de ser mais protecionistas e virados para dentro. E os padrões de vida vão cair. Não é uma imagem bonita. E, embora haja muitos, muitos aspectos positivos para muitos países devido ao declínio dos EUA, não é certo que, com o barco do mundo a balançar ferozmente, outros países sejam de facto capazes de lucrar aquilo que esperam desta nova situação.
É tempo de fazer análises de longo prazo muito mais sóbrias, de fazer julgamentos morais muito mais claros sobre o que a análise revela, e de realizar uma ação política muito mais eficaz no esforço de, nos próximos 20-30 anos, criar um sistema-mundo melhor do que aquele em que estamos todos enredados hoje.
Fonte: Carta Capital

Comando Logístico celebra contrato de Suporte Logístico Integrado para o material adquirido pelo Projeto Leopard
Brasília – No período de 31 de agosto a 1º de setembro de 2011 ocorreu, na Diretoria de Material, a reunião de ajuste e celebração do Contrato de Suporte Logístico Integrado para o material adquirido pelo Projeto Leopard 1. Durante o evento, conduzido pelo Diretor de Material, foram discutidos aspectos técnicos e legais do contrato entre integrantes do Comando Logístico e representantes da empresa KRAUSS MAFFEI WEGMANN (KMW), fabricante dos blindados.
Ao final dos trabalhos, no dia 1º de setembro, com a presença do Subcomandante Logístico, General Eduardo, foi celebrado o contrato que terá vigência de cinco anos, garantindo a execução das atividades de assistência técnica, fornecimento de peças originais, formação e treinamento de militares e manutenção corretiva, incluindo a reparação de componentes no exterior.
A viatura blindada LEOPARD 1A5 é a versão mais moderna da série Leopard 1, que, em relação às características das versões anteriores, traz aperfeiçoamentos no sistema de tiro, de optrônica e de torre.
Até 2012, o Exército Brasileiro contará com uma frota de 240 blindados Leopard, sendo 220 VBCC* 1A5, 04 VBE Engenharia*, 04 VBE Lançadora de Ponte*, 08 VBE Socorro* e 04 VBE Escola*. Contará, ainda, com uma grande quantidade de Dispositivos de Simulação e Apoio à Instrução (DSAI), tudo abrangido pela cobertura do Suporte Logístico Integrado.
- VBCC - Viatura Blindada Carro de Combate
- VBE Engenharia - Viatura Blindada Especializada de Engenharia
- VBE Lançadora de Ponte - Viatura Blindada Especializada Lançadora de Ponte
- VBE Socorro - Viatura Blindada Especializada de Socorro
- VBE Escola - Viatura Blindada Especializada Escola
Fonte: EB

Governo suspende planos de novas usinas nucleares
O excedente de energia na matriz energética brasileira — de até 6 mil MW médios em 2013 e 2014 — permitiu ao governo reavaliar algumas posições sobre o setor. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou nesta quinta-feira que não se trabalha mais com a previsão de novas usinas nucleares no país, ao contrário do que disse no mesmo dia o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e minimizou o atraso na construção das usinas termelétricas do grupo Bertin.
Durante evento realizado na sede da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo, Tolmasquim disse que após o acidente envolvendo a usina nuclear japonesa de Fukushima, no começo do ano, o governo decidiu deixar em segundo plano a construção de quatro novas plantas para gerar esse tipo de energia até 2030. “Não estou dizendo que elas estão descartadas, mas os planos estão em suspensão. Estamos aguardando para tomar uma decisão e, como temos muitas opções de matrizes, não temos pressa.”
Apesar da suspensão dos novos projetos, a construção de Angra III, que está em andamento pela Eletronuclear, deve continuar. “Essa já começou, não tem volta”, disse Tolmasquim.
A sobra no potencial de geração de energia em relação ao consumo do país também deu ao governo federal mais tranquilidade para resolver o problema dos atrasos das usinas termelétricas do grupo Bertin. Segundo Tolmasquim, o governo ainda está avaliando se é possível dar mais tempo para a empresa ou se será o caso de cassar a concessão. “A sobra de energia hoje é maior do que essas usinas, por isso o atraso não afeta nosso abastecimento.”
Ralf Terra, vice-presidente da Abdib, concorda que o momento é de tranquilidade no setor elétrico. “Há pouco tempo, cinco anos, vivíamos um momento de incertezas. Hoje temos resultados significativos e um planejamento importante no setor”, diz o executivo. Ele afirma, no entanto, que ainda há gargalos a serem vencidos para dar mais agilidade aos investimentos, como entraves na área ambiental e a falta de mão de obra especializada.

Fronteiras brasileiras tem mais controle contra o crime
Por Nelza Oliveira para Infosurhoy.com
O crime organizado vai enfrentar cada vez mais repressão ao longo dos 16.886 km de fronteiras brasileiras.
A Operação Sentinela apreendeu volume de drogas três vezes superior ao confiscado pela Polícia Federal nos cinco primeiros meses do ano. Apenas em junho e julho, foram apreendidas 33,7 toneladas de maconha e cocaína, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Justiça em 29 de agosto.
A Sentinela integra o Plano Estratégico de Fronteiras, lançado em 8 de junho pelo governo federal.
Com orçamento de R$ 120 milhões para 2011, segundo o Ministério da Defesa, o plano prevê diversas ações integradas entre as Forças Armadas e os órgãos federais de segurança pública.
A cooperação com países vizinhos também faz parte da estratégia de prevenção e combate aos crimes mais praticados nas fronteiras: tráfico de drogas, armas e pessoas; delitos fiscal, financeiro e ambiental, além de homicídios.
Em julho, quando a Operação Sentinela foi intensificada, foram apreendidas 23,5 toneladas de drogas – 22,16 toneladas de maconha e 1,34 tonelada de cocaína –, o que representa um crescimento de 130% em relação a junho.
A investida também resultou na prisão em flagrante de 786 adultos e 70 jovens infratores.
Dos 8.514.876,599 km2 de área do território brasileiro, 27% são de divisas. São 710 municípios em 11 estados fazendo fronteira com 10 países.
O plano prioriza o reforço à segurança em 34 pontos considerados de maior risco ao longo dos 7.363 km de limites por terra e 9.523 km por rios, lagos e canais
“Todos os pontos vulneráveis que foram mapeados ao longo da faixa de fronteira receberão atenção”, afirma o general José Carlos De Nardi, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, responsável pelo planejamento do emprego da corporação em operações militares conjuntas. “Em cada um deles, atuaremos para coibir ilícitos e reduzir a criminalidade, a partir da coordenação, do planejamento e da execução de operações militares e policiais.”
Os ministérios da Defesa e da Justiça não divulgam as áreas de fronteira onde as forças de segurança estão operando de forma integrada por questões de sigilo operacional.
A Operação Sentinela foi lançada em março de 2010, mas ganhou mais força com o novo plano de segurança nas fronteiras, que prevê aumentar em 100% o efetivo do Ministério da Justiça –composto pelas polícias Federal e Rodoviária Federal – nas ações.
Os esforços são coordenados pelo governo federal, com apoio logístico das Forças Armadas.
Também faz parte do plano a Operação Ágata, coordenada pelas Forças Armadas, com ações em áreas previamente determinadas. As atividades começaram no início de agosto nas fronteiras amazônicas – região limítrofe com Bolívia, Colômbia e Peru, sendo os dois últimos países os maiores produtores mundiais de cocaína, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
A Ágata inclui ainda a promoção de acordos com os países fronteiriços.
O primeiro foi firmado em 4 de agosto com a Colômbia, visando à criação da Comissão Binacional Fronteiriça (Combifron) e à adoção do Plano Binacional de Segurança Fronteiriça.
O acordo deve fortalecer a cooperação e o intercâmbio de informações entre as Forças Militares, a Força Nacional de Segurança Pública e polícias dos dois países.
“Planeja-se adotar a mesma proposta militar com todos os países que fazem fronteira com o Brasil”, diz o general De Nardi.
A Operação Ágata deve se estendida às regiões Centro-Oeste, na fronteira com Bolívia e Paraguai, e Sul, no limites com Paraguai, Argentina e Uruguai.
O plano também determina a instalação de Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteira (GGIF), que irão integrar e articular o trabalho dos órgãos de segurança pública federais, estaduais e municipais nos 11estados brasileiros que fazem divisa com outros países.
Melhorias nas instalações físicas das unidades das polícias Federal e Rodoviária Federal também estão previstas.
“Eu tenho certeza de que essa não é uma ação que visa a transferir o problema das nossas fronteiras para os países vizinhos”, disse a presidente Dilma Rousseff durante a solenidade de lançamento do Plano Estratégico de Fronteiras, em 8 de junho. “Pelo contrário, visa a construir junto com os países vizinhos uma proteção dessa área de fronteira onde coexistem de forma harmônica, sem guerra, sem conflitos, dez países da nossa América Latina.”

PARA INVADIR A AMAZONIA, EUA, GRA-BRETANHA E FRANCA PODEM ALEGAR “DEFESA DA POPULACAO INDIGENA”
“A CIA SE CONVERTEU EM UMA ORGANIZAÇÃO PARAMILITAR”, diz Moniz Bandeira
Em entrevista à “Carta Maior”, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira aponta a ação clandestina de forças especiais dos Estados Unidos, Inglaterra e França nos conflitos da Líbia e Síria e critica a política externa do governo Barack Obama, que usa os “direitos humanos” para justificar intervenções em qualquer parte do mundo. “A CIA, mais e mais, se torna uma força paramilitar, deixando de ser uma agência de espionagem e coleta de inteligência. Os drones, aviões sem pilotos, teleguiados pela CIA, já mataram, desde 2001, mais de 2.000 supostos militantes e civis em vários países“, afirma Moniz Bandeira.
Leia, a seguir, a entrevista concedida por email pelo professor Moniz Bandeira à “Carta Maior”, desde a Alemanha. Nela, entre outras coisas, ele defende que “a questão dos direitos humanos e defesa das populações civis virou uma panacéia que serve para os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha violarem os direitos humanos, com rigorosos embargos comerciais, e massacrar populações civis, como o fizeram na Líbia“. Além disso, sustenta, o presidente Obama pretende continuar, por outros meios, a política do presidente George W. Bush, mudando o conceito da OTAN e contrariando o próprio tratado que a criou, ao dar-lhe capacidade de polícia global.
Carta Maior: Qual sua avaliação sobre a participação das grandes potências ocidentais, especialmente, Estados Unidos, Inglaterra e França nos conflitos da Líbia e da Síria. Há uma mesma lógica atuando nos dois casos?
Moniz Bandeira – Não se trata de teoria conspiratória. Mas parece que há a mesma lógica na sucessão de levantes, que começaram na Tunísia, em dezembro de 2010, depois, simultaneamente, se estenderam ao Egito e à Síria, em 25/26 de janeiro de 20011, e à Líbia, em 17 de fevereiro.
As condições econômicas, sociais e políticas estavam maduras. Em todos esses países, há enorme taxa de desemprego, afetando grande parte da juventude, extrema pobreza, inflação, alta dos preços dos alimentos e o ressentimento político provocado pela repressão das ditaduras.
Está provado, porém, que militares das forças especiais dos Estados Unidos, Inglaterra e França, vestidos como árabes, os ‘false-flaggers’, i. e., um “illegal team”, com identidade de outros países de modo que não sejam identificados como ingleses, americanos ou franceses, estão abertamente na Líbia e não se pode descartar a possibilidade de que agentes da CIA e do MI-6 estejam também na Síria. [...]
O WikiLeak, há poucos meses, revelou um despacho secreto, da Embaixada dos Estados Unidos em Damasco, sobre “Next Steps For A Human Rights Strategy”, informando que, de 2005 até setembro de 2010, os Estados Unidos, com os recursos do “Middle East Partnership Initiative” (MEPI), tinham destinado secretamente aos grupos da oposição, na Síria, um montante de US$ 12 milhões, bem como financiado a instalação de um canal de TV via satélite, transmitindo para dentro do país programas contra o regime de Bashar al-Assad.
Carta Maior – Além desse encorajamento estrangeiro, que outros fatores estariam contribuindo para alimentar os protestos na Síria?
Moniz Bandeira - Há fortes fatores religiosos. A maioria da população, na Síria, é salafista, uma das correntes fundamentalistas do Islã, que pretende restabelecer os primitivos princípios religiosos do Corão. É similar ao wahhabismo, doutrina defendida por Muhammad ibn Abd-al-Wahhab e prevalecente na Arábia Saudita. Bashar al-Assad, porém, é um alauita, outro segmento do Islã, que dissimula sua doutrina com a taqiyya, uma prática xiita, seita islâmica dominante no Irã e da qual mais se aproxima. Os alauitas constituem apenas 10% da população da Síria, mas dominam e controlam todo o aparelho do Estado há várias décadas, pelo menos desde os anos 1970, quando Hafez al-Assad, do Partido Ba’ath, assumiu a presidência da Síria.
O Partido Ba’ath, fundado em Damasco em 1946, mesclava ideais igualitários, socializantes, interesses nacionalistas e objetivos pan-árabes, contrários à política imperialista das potências ocidentais. Alguns dos seus ramos surgiram em outros países do Oriente Médio, como o Iraque, onde deteve o poder até a queda de Sadam Hussein, em 2003.
Carta Maior – A Síria tem pouco petróleo. Qual ou quais os interesses dos Estados Unidos, França e Inglaterra na derrubada do regime de Bashar al-Assad?
Moniz Bandeira – Esses países têm interesses estratégicos, como, e.g., assumir o controle de todo o Mediterrâneo e isolar politicamente o Irã, que está aliado à Síria, bem como restringir a influência de Rússia e China no Oriente Médio. A Rússia, desde 1971, opera o porto de Tartus, na Síria, e projeta reformá-lo e ampliá-lo como base naval, em 2012, de modo que possa receber grandes navios de guerra, garantindo assim sua presença no Mediterrâneo. Consta que a Rússia também planejava instalar bases navais na Líbia e no Yemen. E, conforme se pode deduzir do telegrama da Embaixada dos EUA em Damasco, publicado pelo WikiLeaks, tudo indica que o financiamento da oposição, na Síria, desde, pelo menos, 2005, visou à derrubada do regime de Bashar al-Assad, de modo a impedir o aprofundamento, no âmbito naval, de suas relações com a Rússia.
Daí que, dificilmente, os Estados Unidos conseguirão estender à Síria a mesma estratégia que desenvolveu na Líbia, juntamente com a Grã-Bretanha e a França. A Rússia, ainda percebida pelos Estados Unidos como seu grande rival, e a China, opõem-se até mesmo às sanções contra o regime de Bashar al-Assad.
Carta Maior – Nesse contexto, como pode ser entendida a doutrina do presidente Barack Obama no que se refere à política externa dos EUA?
Moniz Bandeira – Em discurso pronunciado na “George Washington University”, em 28 de março de 2011, o presidente Obama declarou que, mesmo não estando a segurança dos americanos diretamente ameaçada, a ação militar pode ser justificada –no caso de genocídio, por exemplo– os Estados Unidos podem intervir, mas não atuarão isoladamente. Sua doutrina ele também delineou, claramente, em discurso que pronunciou no Parlamento britânico, durante a visita de Estado que fez ao Reino Unido entre 24 e 16 de maio de 2011. O presidente Obama disse que “we do these things because we believe not simply in the rights of nations; we believe in the rights of citizens”. E mais adiante declarou que carece de peso o argumento segundo o qual “a nation’s sovereignty is more important than the slaughter of civilians within its borders” e reafirmou que “nós” pensamos de modo diferente, aceitamos uma responsabilidade maior, i. e. que a comunidade Internacional deve atuar quando um líder está ameaçando massacrar seu povo.
Tais palavras significam que os Estados Unidos, juntamente com a Grã-Bretanha e França, não mais respeitarão as normas do Direito Internacional, estabelecidas desde o Tratado de Westphalia, com base nos princípios de soberania do Estado nação, e poderão intervir em qualquer país, a pretexto de razões “humanitárias” ou de “defesa da população civil”, mas [na verdade] para defender seus interesses econômicos e estratégicos.
Assim, os chefes de governo dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, se quiserem, podem alegar defesa da população indígenas ou do meio ambiente e invadir a Amazônia.
A questão dos direitos humanos e defesa das populações civis virou uma panacéia que serve para os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha violarem os direitos humanos, com rigorosos embargos comerciais, e massacrar populações civis, como o fizeram na Líbia.
Também, o que pretende o presidente Obama a continuar, por outros meios, a política do presidente George W. Bush, é mudar o conceito da OTAN, contrariando o próprio tratado que a criou, e dar-lhe capacidade de polícia global (global cop) para enfrentar as “novas ameaças”, como “terrorism and piracy, cyber attacks and ballistic missiles”.
Isso significa que a OTAN deixará de ser uma organização de defesa da Europa Ocidental, objetivo de sua criação no tempo da Guerra Fria, e tornar-se-à instrumento de agressão, pronta para intervir em todos os continentes, com ou sem autorização da ONU.
As sanções contra a Síria são iguais às que foram aplicadas contra a Líbia, logo no início da rebelião. É a primeira forma de intervir num conflito interno em qualquer outro país, onde o governo, que não convém à Santa Aliança, reprima as manifestações para derrubá-lo. Mas, evidentemente, que as manifestações populares contra as ditaduras na Arábia Saudita, Bahrein e Jordânia, clientes dos Estados Unidos, não podem esperar qualquer “ajuda”.
Carta Maior – Qual seria, mais especificamente, essa estratégia dos Estados Unidos no Oriente Médio e norte da África e quais as forças especiais estariam atuando na Líbia e, provavelmente, na Síria?
Moniz Bandeira - A estratégia atual dos Estados Unidos, implementada pelo presidente Obama, que bem mereceu o Prêmio Nobel da Paz [sic!], é ampliar o uso de drones, aviões armados e manejados eletronicamente pela CIA, para matar supostos terroristas, militantes da al-Qa’ida e Talibans, bem como centenas de civis desarmados, atingindo-os, como o faz na Líbia, Afeganistão, Paquistão e Yemen. Essa é a nova tarefa da CIA, que mais e mais se torna força paramilitar, deixando de ser agência de espionagem e coleta de inteligência. Os drones (General Atomics MQ-1 Predator), esses aviões sem pilotos, teleguiados pela CIA, já mataram, desde 2001, mais de 2.000 supostos militantes e civis, e o Centro Contra-Terrorismo (CTC) dispõe atualmente de cerca de 2.000 empregados que trabalham na localização dos alvos e em atacá-los.
O presidente Obama incrementou essas operações sem arriscar a vida de seus soldados, bem como com o emprego de uma outra organização militar, que matou e interrogou mais supostos terroristas e Talibans do que a CIA, desde 2001. Trata-se do “Joint Special Operations Command” (JSOC), à qual está subordinada a “U.S. Navy SEAL’s” (Sea, Air and Land Teams), integrante do Comando de Operações Especiais (USSOCOM), unidade encarregada de operações terrestres e marítimas, guerra não-convencional, resgate, terrorismo e contraterrorismo etc. Um comando do SEAL’s recebeu a missão de assassinar Osama Bin Laden, no Paquistão, em 2 de maio de 2011. Essa é tarefa da qual o “Joint Special Operations Command” (JSOC) está incumbido, executando o programa desenvolvido pelo general David Petraeus, atual diretor da CIA, quando comandava as tropas americanas no Afeganistão .
O programa consiste em “kill/capture”, i. e. matar/capturar, em qualquer região do mundo, terroristas e Talibans, constantes de uma “Joint Prioritized Effects List” (JPEL), que inclui até americanos, com fundamento em premissa legal ou extralegal, conforme diretriz classificada do presidente Obama. O tenente-coronel John Nagl, assessor de contrainsurgência do general David Patraeus no Afeganistão, considerou o JSOC uma máquina de matar contra o terrorismo em uma escala quase industrial (“an almost industrial-scale counterterrorism killing machine“). Trata-se, na realidade, de um comando de esquadrões da morte do Pentágono.
Comandos do SEAL’s atuaram na Líbia, assim como da “Direction générale de la sécurité extérieure” (DGSE), da “Brigade des forces spéciales terre” (BFST), subordinada ao “Commandement des opérations spéciales” (COS), M16 (Inteligence Service) e “Special Air Service SAS” (Special Air Service) como se fossem árabes. [Sem eles] os chamados “rebeldes” não teriam avançado muito além de Benghazi. No dia 20 de agosto, dia em que acabou o jejum do Ramandan, um navio da OTAN desembarcou no litoral da Líbia armamentos pesados, antigos jihadistas e tropas especiais do JSOC, dos Estados Unidos, BFST, da França, e SAS, do Reino Unido, sob o comando de oficiais da OTAN, que então procederam à conquista de Trípoli.
O balanço da “Operation Odyssey Dawn”, após 100 dias de bombardeios da OTAN, é trágico: 6.121 civis mortos e feridos. De acordo com as estatísticas, 3.093 homens foram mortos ou feridos; 260 mulheres mortas e 1.318 feridas; 141 crianças mortas e 641 feridas. A OTAN, por sua vez, informa que, nos primeiros 90 dias, executou um total de 13.184 saídas, entre as quais 4.963 ataques, danificando ou destruindo mais de 2.500 alvos militares, 460 instalações militares, 300 sistemas de radar depósitos, além de, aproximadamente, 170 locais de controle e comando, e cerca de 450 tanques. O informe não se refere aos escombros que os bombardeios deixaram nem às milhares de vítimas civis, mortos, feridos, desabrigados e refugiados.
Esse foi o resultado da Resolução nº 1.973 do Conselho de Segurança da ONU, autorizando a Santa Aliança (Estados Unidos, Inglaterra e França) a “proteger os civis” na Líbia e que ela [Santa Aliança] aproveitou para legitimar o direito de “intervenção humanitária”, para defender seus próprios interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos no Mediterrâneo.
Esse é modo americano de fazer guerra (American Way of War) adotado pelo presidente Obama. Mas os objetivos são os mesmos do presidente George W. Bush, atendendo aos interesses do complexo industrial-militar. Sem agir unilateralmente, ele deseja realizá-los, transformando, por meio da OTAN, de forma a repartir os custos com seus membros, principalmente Inglaterra, França e Alemanha, a fim de evitar que a guerra seja percebida como entre os Estados Unidos e a Líbia ou outro qualquer país.
Carta Maior – Qual deve ser o futuro da Líbia? O senhor acredita que Kadafi possa resistir e permanecer como um agente político influente no conflito?
Moniz Bandeira – É difícil predizer. A Líbia é um país ainda divido em tribos e a lealdade é essencial entre seus membros. De qualquer modo, vivo ou morto, o espectro de Kadafi, como comandante ou mito, estará por trás da resistência, que mais dias menos dias começará a ocorrer, porque as tribos não aceitarão a presença de tropas estrangeiras no seu território. Porém, uma das consequências da “intervenção humanitária” na Líbia será, provavelmente, a proliferação das armas nucleares. Como muito bem observou Leonam dos Santos Guimarães, especialista em energia nuclear e assistente da presidência da Eletrobrás – Eletronuclear, a queda do regime de Kadafi faz supor que a aquisição de armas nucleares se tornará atraente para países que se sintam ameaçados pelo Ocidente.
Kadafi, em dezembro de 2003, concordou em abandonar seu programa de armas nucleares, com base em importações clandestinas de urânio natural, centrífugas e equipamentos de conversão, bem como a construção de instalações em escala piloto. Se ele tivesse avançado no seu programa de armas nucleares, a campanha de bombardeios da OTAN teria ocorrido? –perguntou Leonam dos Santos Guimarães. A resposta seria certamente não. O direito internacional só é respeitado quando há certo equilíbrio de poder e as nações ameaçadas têm possibilidade de retaliar. Daí que é quase impossível impedir que o Irã desenvolva suas armas nucleares, não para atacar Israel, mas para defender-se da Santa Aliança ocidental.
Carta Maior – No caso da Síria, qual sua avaliação sobre a posição de outras nações árabes e de Israel frente esse conflito?
Moniz Bandeira – Não há informações sobre o envolvimento de outras nações árabes nem de Israel na Síria, onde ainda não há propriamente uma guerra civil, mas uma onda de protestos. Todos estão a observar o desdobramento da crise. A Síria é, também, um país dividido em muitas tribos e o governo conta com o respaldo do Irã, que provavelmente lhe fornece ou pode fornecer armamentos. São muito estreitas suas conexões com o Hizbollah, uma força política e paramilitar xiita, com sede no Líbano. Consta que o Hizbollah dispõe de 30.000 a 40.000 mísseis apontadas para Israel e difíceis de localizar, porque estão instalados em casas de família. Essa é uma das razões –e há outras– pelas quais nem os outros países árabes nem Israel querem envolvimento [direto] nos protestos que ocorrem na Síria.
Carta Maior – Os tambores da guerra estão soando em Israel, diante da perspectiva do reconhecimento do Estado palestino na ONU, em setembro. Há, na sua avaliação, possibilidade de generalização de conflitos no Oriente Médio?
Moniz Bandeira - Está previsto que Mahmoud Ridha Abbas (Abu Mazen), como presidente da Autoridade Palestina, pronunciará um discurso, na 66ª Assembléia Geral da ONU, a realizar-se entre 21 e 27 de setembro, no qual solicitará o reconhecimento do Estado palestino. A admissão de um novo membro requer o apoio de 2/3 dos Estados presentes na Assembléia Geral. Se obtiver esse quorum, a Autoridade Palestina, como Estado, será admitida apenas na condição de observador, pois o reconhecimento como membro pleno depende de aprovação do Conselho de Segurança da ONU e, por conseguinte, do voto dos Estados Unidos.
Há uma enorme expectativa em Israel, com respeito à posição que os Estados Unidos tomarão na Assembléia Geral, posto que, no dia 5 de setembro, vazou para a imprensa a informação de que o ex-secretário de Defesa do presidente Barack Obama, Robert Gates, antes de aposentar-se este ano, criticou duramente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanjahu em reunião do “National Security Council Principals Committee” dos Estados Unidos. Gates chamou Israel de “an ungrateful ally” (aliado ingrato) e disse que a política de Netanyahu põe seu país em perigo, recusando-se a negociar, em meio a um crescente isolamento e o desafio demográfico, se mantém o controle da Faixa de Gaza. Presume-se que a notícia vazou, com o beneplácito de Obama, como advertência a Netanyahu.
O que se teme, em Tel Aviv, é que milhões de palestinos, exilados nos demais países árabes, marchem para as fronteiras de Israel [fronteiras essas muito ampliadas com as ilegais invasões e ocupações] após e avancem sobre seu território, se a Assembléia Geral da ONU reconhecer o Estado palestino, ainda que como observador. Os palestinos exilados não dispõem de outra nacionalidade porque, nos anos 1950, a Liga Árabe decidiu não concedê-la, a fim de manter na agenda a necessidade de criar o Estado palestino.”
FONTE: publicado no site “Carta Maior”





